Urbanismo 

Da riqueza e monumentalidade de Bracara Augusta poucos sinais chegaram até nós. À semelhança das outras cidades romanas teria um forum, templos, mercados, termas, um anfiteatro, além de bairros residenciais.  

A quase totalidade das ruínas conhecidas actualmente pertence a edifícios e arruamentos construídos na época flávia, altura em que a cidade conheceu uma grande expansão. 

Até ao momento não dispomos de dados precisos relativos ao programa augústeo, muito embora deva datar dessa época fundacional o plano ortogonal, identificado com base na orientação geral dos edifícios conhecidos e nas ruas e cloacas, revelando uma orientação NO/SE. Sabemos, assim, que Bracara Augusta, à semelhança de outras cidades de fundação augústea, como Lugo e Astorga, conheceu um traçado hipodâmico que cobria grande parte da área urbana, plano esse que persistiu na organização da parte sul da cidade medieval, parcialmente erguida sobre os quarteirões da Braga romana. 

A escavação integral da insula das Carvalheiras, limitada por quatro ruas, em conjunção com outros elementos arquitectónicos e urbanísticos, permitiu identificar um módulo quadrado com 150 pés (cerca de 44,33m entre o eixo das ruas), com uma área construída de 120 pés (aproximadamente 35,48m). A generalização da modulação detectada ao conjunto da cidade está a ser sistematicamente verificada à medida que as escavações vão descobrindo novos muros e arruamentos. 

Outra evidência arqueológica do urbanismo romano são os numerosos pórticos, espaços públicos por excelência, ladeando as ruas, abrindo-se às lojas situadas ao nível do rés-do-chão das casas. 

O conjunto dos alinhamentos conhecidos permite situar o decumanus maximus a passar pela R. de S. Sebastião, com orientação SO/NE e um pouco a norte da actual R. do Alcaide e Largo de Santiago. Por sua vez, o cardo maximus pode estar representado, na parte norte, pelo eixo da grande cloaca identificada nos terrenos anexos ao Antigo Albergue Distrital e nas obras do prédio nº 56 da R. Frei Caetano Brandão. Na parte sul da cidade este eixo parece corresponder ao troço da R. dos Bombeiros Voluntários que segue até ao cruzamento com a R. Damião de Góis. 

O ponto central destes dois grandes eixos da cidade romana, onde se deveria situar o forum, situa-se no actual Largo Paulo Orósio, local referido com essa função numa planta de Braga datada do século XVI. 

Os dados disponíveis sugerem que a traça ortogonal de Bracara Augusta se manteve até à Alta Idade Média, pois as remodelações tardias, realizadas entre finais do séc. III/inícios do IV, respeitaram a orientação geral das construções anteriores. 

Já os limites da cidade devem ter variado ao longo dos séculos. Embora ainda não estejam definidos com precisão os limites da área cadastrada da cidade estamos em crer que ela seria mais pequena do que aquela que veio a ser cercada, nos finais do séc. III, pela única muralha que conhecemos. Na verdade, parece de aceitar que vários bairros artesanais se tenham desenvolvido na periferia do núcleo urbano, ao longo do Alto Império, alguns dos quais terão sido incorporados na área intra-muros pela construção da fortificação tardia, tendo outros sido sacrificados e desmontados para obtenção de material de construção. 

Tanto quanto é possível avaliar pelos dados arqueológicos Bracara Augusta conheceu dois grandes programas urbanísticos: um datado da época flávia/antonina e outro situado entre finais do séc. III / inícios do IV. Haverá certamente que juntar a estes um programa augústeo e júlio/cláudio, infelizmente mal definido, pois a ele podemos, apenas, para já, reportar um único edifício anterior à construção das Termas do Alto da Cividade.