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cidade Flávio/Antonina
O programa Flávio/Antonino estruturou uma cidade que, atendendo à localização das necrópoles e ao traçado atribuído à muralha tardia, seria superior a 48ha. Simultaneamente, deverá ter-se verificado a promoção jurídica das elites da cidade e da região envolvente, que constituíram a ordo decurionum. Dessa promoção falam as inscrições que o acaso fez chegar até nós. Umas, em especial as funerárias, referem a inclusão de indígenas na tribo Quirina, prática dominante a partir do imperador Vespasiano. Outras, revelam a adopção da onomástica flávia, sugestiva de promoções realizadas sob os Flávios. O surto urbanístico
e a monumentalização de Bracara Augusta, entre
finais do século I e meados do II, realizados certamente a expensas
municipais e graças ao evergetismo, característico das cidades
provinciais do Alto Império, foram acompanhados pelo florescimento
das actividades económicas, associadas, quer ao abastecimento de
uma população crescente, com razoável poder de compra,
quer ao escoamento, pelo menos regional, de produtos fabricados na cidade.
![]() As importações
estão bem representadas por cerâmicas, vidros e por objectos
de adorno. Alguns produtos importados revelam mesmo, pela sua grande qualidade,
que em Bracara Augusta residiu, durante o Alto Império,
uma clientela abastada, de refinado gosto, que constituiria, certamente,
a elite da cidade. Muito embora pouco se saiba sobre as exportações,
podemos destacar, entre as actividades artesanais mais representativas,
o fabrico de cerâmica comum de apreciável qualidade, de vidro
e de metais.
![]() Os dados arqueológicos permitem localizar os bairros mais ricos na metade oriental da cidade, atendendo à melhor qualidade das residências aí encontradas, mas, também, ao aparato funerário conhecido na necrópole desse sector da cidade (necrópole da via XVII). |