| Lugar :
Ázere Freguesia : Ázere Concelho : Arcos de Valdevez Código Administrativo : 160104 Latitude : 543,6 Longitude : 176,9 Altitude : 50m |
Acesso :
Cerca de 600 metros para poente da aldeia de Ázere, sobre o rio do mesmo nome. O acesso faz-se por um bem arranjado caminho municipal a partir da estrada nacional EN.202-2, que liga Arcos de Valdevez a Sistelo. O monumento não está sinalizado.
Descrição arqueológica :
Neste local conserva-se uma ponte medieval com remodelação moderna, lançada sobre o rio Ázere numa zona de topografia mais acessível. Em cantaria de
silhares
graníticos de boa construção, apresenta dois largos arcos de volta perfeita, solidamente alicerçados nas margens e no pegão central, este protegido por maciço talhamar triangular e reforçado por talhante quadrangular. Os aros dos arcos são formados por
aduelas
bem afeiçoadas, compondo intradorsos de grande perfeição, em
aparelho isódono
, onde se identificam os encaixes dos cimbres e inúmeras siglas de
canteiro
. O
arcos
ul apresenta algumas
aduelas
com "almofada", que deverão corresponder à remodelação promovida por João Rodrigues em 1613, remodelação que se terá estendido ao tabuleiro da ponte, que então terá ficado horizontal. Sem guardas e lajeado, mede quase 4 metros de largura e vence um
triedro
total superior a 30 metros. Os paramentos laterais, também em
silhar
ia, apresentam um
aparelho
menos cuidado. Afectada ainda ao uso vicinal da população local, esta ponte apresenta-se bem conservada.
Interpretação :
Ponte medieval.
Interesse :
Este monumento é, como obra pontística, um valor patrimonial inquestionável. Possui,também, grande interesse e significado histórico-arqueológico porque é um importante testemunho da velha estrada medieval que ligava os Arcos de Valdevez a Monção, seguindo pela margem esquerda do rio Vez até Vilela, por onde nos tempos medievos circularam as hostes de Afonso Henriques a caminho do celebrado recontro de Valdevez e, mais tarde, os exércitos de D. João I para enfrentar os castelhanos, ou ainda grande parte dos romeiros que de Portugal se dirigiam a Compostela. Ao contrário do que o "almofadado" das
aduelas
do
arco
meridional poderá sugerir, não se trata de uma construção originalmente romana. O recurso ao clássico
aparelho
almofadado rusticado foi frequente nos séculos XVI a XVIII, correspondendo a uma espécie de moda de inspiração renascentista. A circunstância de para esta ponte se documentar uma remodelação nos inícios do século XVII vem confirmar esta interpretação, referenciando-se no Alto Minho inúmeras outras pontes de época moderna onde se patenteiam semelhantes padrões arquitectónicos
Bibliografia
Autor :
Luís Fontes
Data Última Actualização :
04-FEV-1998