Távora
Capela      Cronologia: Idade Média

Lugar : Távora
Freguesia : Távora
Concelho : Arcos de Valdevez
Código Administrativo : 160143
Latitude : 538,3
Longitude : 172,7
Altitude : 100m

Acesso : Junto à aldeia de Távora (Santa Maria). O acesso faz-se por estrada municipal, cruzando para Monte Redondo a partir da estrada nacional EN.202 (ligação Arcos de Valdevez - Ponte de Lima). O monumento não está sinalizado.

Descrição arqueológica : A Comenda de Távora, em terras de Valdevez, foi desde os tempos medievos uma importante propriedade dos Hospitalários, ordem que mais tarde passou a designar-se por Ordem de Malta. De acordo com as inscrições que conserva - nos silhares sobre o lintel do portal meridional está gravada a data de 1294; na fachada da capela anexa, dedicada a S. Tomé, está epigrafada a data de 1327; uma desaparecida inscrição do lintel do portal ocidental indicaria uma data mais antiga, 1190, data com a qual não se consegue estabelecer qualquer relação. A igreja de S. João Baptista, sede da comenda, com a sua capela tumular anexa, terá sido edificada em época relativamente tardia, finais do século XIII e princípios do século XIV, cronologia que explica melhor a inequívoca tendência gótica da sua traça arquitectónica. Foi essa edificação que chegou até à actualidade praticamente intacta (no conjunto, só o arco triunfal é uma alteração moderna. De registar, também, a transformação da capela tumular em sacristia). O templo apresenta uma planta simples, composta por dois pequenos corpos rectangulares, nave e ábside, construídos com silhar ia bem aparelhada, onde se identificam inúmeras siglas de canteiro . Entre os elementos arquitectónico-decorativos relevam: o portal ocidental sem colunas nem capitéis, com lintel superficialmente decorado com arcos e losangos, sobrepujado por fresta cuja abertura interor é fornada por arco ogival e colunelos decorados; o triedro do portal meridional, com arco ogival fechando tímpano liso de silhares , apoiados em lintel onde se gravou uma "apotropaica" serpente; a janela fresta da na parede Sul, em duplo capialso, com o triedro exterior emoldurado por arco, impostas e colunelos decorados, sobressaindo o desenho tosco dos atarracados capitéis e das figurações humanas esculpidas nos fustes, aparentemente representando S. João Baptista e S. João Evangelista, os dois padroeiros da Ordem de Malta, e o triedro interior ornado por arco liso sobre colunelos com capitéis esculpidos; no entabelamento das paredes, as cachorradas com modilhões simplesmente moldurados ou com "cruzes de Malta" relevadas; coroando exteriormente as empenas cruzeira e da ábside, duas formosas cruzes características da ordem. A capela tumular, alinhando a fachada pelo cruzeiro da nave da igreja, adossa-se ao lado Sul da capela-mor, cuja parede é comum. Desenha uma planta em rectângulo trapezoidal, definido pelo maior comprimento da parede meridional. Apresenta características construtivas semelhantes às da igreja, destacando-se ao nível da decoração arquitectónica a janela da cabeceira , em duplo arco ogival com mainel formado por uma peça reaproveitada esculpida, vazando-se por cima do arco um círculo com estrela de seis pontas e folha de trevo inscritas. Exteriormente conservam-se três sarcófagos em granito, dois com tampa a "duas águas" e outro sem tampa deixando ver o recorte antropomórfico da cavidade. Devem ter sido retirados da capela tumular quando, no século XVIII, esta foi adaptada a sacristia, altura em que também se terá fechado com alvenaria a porta ocidental e aberto a porta de ligação directa à capela-mor.

Interesse : Trata-se de um monumento com significado histórico regional e elevado valor científico e patrimonial, classificado como Imóvel de Interesse Público (Dec. 129/77 de 29-9), fundamental para a compreensão do povoamento medieval e para o estudo da perduração do estilo românico na região.

Bibliografia

Autor : Luís Fontes

Data Última Actualização : 04-FEV-1998