A Bracara do Baixo Império 

Bracara Augusta regista, entre finais do século III e início do IV, um importante programa de renovação urbana, que compreendeu remodelações significativas, quer em edifícios públicos, quer privados. Esse programa parece associar-se à promoção da cidade a capital da província da Galécia, criada por Diocleciano, que integrou os três conventos jurídicos do NO e parte do Convento de Clunia. As remodelações realizadas nessa época, observadas em grande número de construções em diferentes sectores da cidade, permitem concluir que as elites mantiveram a sua residência na cidade, procedendo a significativos melhoramentos das suas vivendas, que incluiram, frequentemente, a construção de banhos privados e de pavimentos com mosaicos. 
 

   

Por outro lado, observa-se um bom ritmo de importações de cerâmica, ao longo de todo o séc. IV, sendo de destacar o funcionamento dos ateliers de produção de cerâmica local, cujos produtos continuaram a difundir-se na região. Bracara Augusta manteve, assim, ao longo daquele século, uma significativa actividade comercial e artesanal, não parecendo conhecer qualquer processo de retracção económica, ou de despovoamento.  
 

A persistência de uma vida económica e social activa, durante todo o século IV, pode ser uma consequência das novas responsabilidades políticas e administrativas da cidade, decorrentes da sua promoção a capital provincial. Essas responsabilidades terão sido mesmo acrescidas quando Bracara Augusta se tornou sede de bispado, nos finais do séc. IV, o que garantiu à cidade a administração de um importante território. Os numerosos cargos políticos e religiosos que se ofereciam às elites urbanas terão representado, certamente, um importante factor de fixação, justificando a sua residência na área urbana.