Fundação e desenvolvimento de Bracara Augusta 

A fundação augústea 

Bracara Augusta foi fundada pelo imperador Augusto, no fim das guerras franco-cantábricas, mas em data ainda incerta, no âmbito do programa imperial de reorganização administrativa da Península Ibérica. Assim, tal como as restantes criações augústeas no Noroeste, Bracara Augusta nasceu da necessidade de dotar a região a Norte do Douro de estruturas sociais e políticas, susceptíveis de firmar a presença romana e facilitar a integração das suas populações. 

Enquanto que os dados arqueológicos disponíveis permitem afirmar que Bracara Augusta surgiu ex nihilo, o material epigráfico conhecido sugere um contexto religioso para a sua criação, fortemente influenciado pelo carisma de Augusto e pela difusão do culto imperial. 

Plínio (4,112) inscreve Bracara Augusta na lista dos oppida peregrinos. No entanto, é provável que a nova colectividade tivesse centralizado, logo desde a sua fundação, importantes funções de carácter jurídico, religioso e económico, eventualmente articuladas com a suas atribuições enquanto sede de conventus iuridicus. 
 

Estatuto jurídico 
  
Por outro lado, permanece discutível o estatuto jurídico da cidade e dos seus habitantes. De facto, tradicionalmente considerou-se que Bracara Augusta teria sido promovida a município no último quartel do séc. I, beneficiando os seus habitantes do ius latii, o que permitia a ascensão da aristocracia indígena à cidadania romana. Mais recentemente, P. Le Roux defendeu a fundação de Bracara Augusta como oppidum de direito latino, facto que teria beneficiado, logo de início, a aristocracia indígena residente. De qualquer modo, ou por privilégio de fundação ou, mais tarde, por promoção municipal, Bracara Augusta terá possuído estruturas de governo autónomas, com senado e magistrados, certamente de origem indígena, os últimos dos quais devem ter contribuído para a monumentalização da cidade.  
 

 
 

O Período Júlio-Cláudio e a estrutura da nova urbe 

O conjunto dos dados arqueológicos e epigráficos aponta para um considerável desenvolvimento da cidade, ao longo da dinastia Júlio-Cláudia, sendo admissível que durante a primeira metade do séc. I se tivesse operado um povoamento sistemático do novo aglomerado. Ter-se-iam, então, erguido alguns dos seus edifícios públicos e bairros artesanais (Urbanismo). 

A epigrafia de Braga constitui um indicador precioso para se compreender o povoamento e desenvolvimento da cidade. Se as inscrições funerárias dão conta da fixação em Bracara Augusta de notáveis indígenas oriundos dos inúmeros castella (castros) da região, que expressam a sua origem pela expressão C invertido, a presença de cidadãos romanos está igualmente testemunhada, quer através de soldados, quer de comerciantes. 

A importância administrativa e religiosa de Bracara Augusta, as actividades económicas e a organização da rede viária (vias) da região terão favorecido o rápido crescimento demográfico da cidade, ao longo do séc. I, atraindo uma população diversificada, composta por indígenas, imigrantes e militares. 

A Arqueologia testemunha, entretanto, que Bracara Augusta era uma cidade ortogonal, com ruas bem alinhadas, orientadas NO/SE, algumas das quais monumentalizadas com pórticos que envolviam as insulae (quarteirões) em que se dividia o espaço urbano. À luz dos resultados das escavações realizadas em vários locais do perímetro urbano, podemos afirmar que Bracara Augusta terá atingido a sua máxima extensão no séc. II, tendo beneficiado de um sistemático programa de obras, no período flávio/antonino, durante o qual a quase totalidade da área urbana terá sido edificada.