Arquitectura 

Apesar do razoável número de escavações que foram realizadas nos últimos 20 anos em Braga são ainda reduzidos os conhecimentos disponíveis sobre a arquitectura romana. De facto, quer porque grande número de intervenções revestiu o carácter de salvamento, raramente permitindo pôr a descoberto conjuntos coerentes, quer porque as estruturas identificadas se encontram frequentemente reduzidas aos alicerces e saqueadas até à rocha, faltam-nos evidências fundamentais para definir a arquitectura dos edifícios, muitas vezes apenas conhecidos a partir das plantas, pois são raros os elementos indispensáveis para reconstituir a sua volumetria e fachadas. 

Até agora conhecemos apenas um único edifício público, as termas do Alto da Cividade e a planta integral de uma casa nas Carvalheiras. Possuímos, é certo, vestígios de inúmeras outras construções. No entanto, eles apenas fornecem elementos cronológicos sobre fases construtivas, remodelações e abandono de numerosas habitações, que nos ajudam a perceber as áreas ocupadas na cidade. 

Mau grado a pobreza dos elementos arquitectónicos disponíveis sabemos que, num primeiro momento construtivo, situado entre a segunda metade do século I/ meados do II, a arquitectura em Bracara Augusta obedeceu a uma métrica rigorosa, com larga utilização de blocos e colunas. O aparelho usado nos edifícios públicos e privados era de excelente qualidade, revelando bom talhe e blocos homogéneos. As construções implantam-se solidamente na rocha, possuindo, por vezes, imponentes valas de fundação. O resultado decorrente deste tipo de construção seria certamente de boa qualidade, sendo de destacar a utilização generosa de colunatas. 

A partir de finais do século II a qualidade da construção diminui, passando os paramentos dos muros a incluir tijoleiras, inicialmente em fiadas e, posteriormente, em simples bocados, que colmatavam os interstícios entre os blocos de pedra, agora de talhe e dimensões irregulares. 

Nos finais do século III, inícios do IV, altura em que a generalidade dos edifícios públicos e privados foram remodelados, é esse o aparelho dominante, verificando-se um reaproveitamento sistemático das fundações dos edifícios anteriores, bem como dos seus elementos construtivos. Por outro lado, neste período, os espaços públicos são invadidos por construções, os pórticos sistematicamente fechados com muretes, registando-se uma tendência para fugir aos alinhamentos anteriores. Os edifícios surgem-nos, agora, mais maciços e fechados. 

Entre os séculos IV e V piora ainda mais a qualidade da construção. As remodelações de edifícios anteriores alteram a sua funcionalidade, sendo os novos muros bastante débeis, por falta de alicerces e pela má qualidade da maçonaria. 

Todos os edifícios públicos e privados conhecidos até ao momento em Bracara Augusta utilizaram como material base o granito. A utilização de mármores parece omissa, sendo, de admitir que a madeira tenha sido usada regularmente na construção, designadamente de pavimentos interiores, em substituição dos clássicos pavimentos em mosaico, estes últimos muito raros em Braga e datáveis de uma fase tardia. Raros são ainda os solos de opus signinum, usados sobretudo em espaços de balneário, quer como pavimentos de salas, quer como revestimento de piscinas ou tanques. 

O revestimento das paredes interiores seria certamente uma regra, pelo menos nas construções alto imperiais e de melhor qualidade. No entanto, os seus vestígios aparecem sistematicamente ausentes do registo arqueológico, quer porque seriam de má qualidade, quer porque as remodelações dos séculos III/IV, que refizeram, por vezes, paredes inteiras, os possam ter dispensado.