Importações 

Bracara Augusta foi uma importante cidade comercial. A atestar a precocidade desta actividade existe uma inscrição datada do tempo do imperador Cláudio dedicada a C. Caetronius Miccio, pelos cidadãos romanos que comerciavam em Braga. Uma outra inscrição votiva, dedicada ao Génio do Mercado, é igualmente sugestiva da importância assumida pelo comércio na vida económica da cidade. 

Se não nos ficou memória epigráfica dos produtos transaccionados pelos comerciantes bracarenses, possuímos, todavia, testemunhos significativos da importação de certos produtos alimentares, com base na presença dos seus contentores e de produtos cerâmicos. A proveniência destes materiais ajuda a reconstituir alguns dos eixos comerciais da cidade.. 

A presença em Braga de ânforas vinárias béticas, da forma Haltern 70 (classe 15), de ânforas da forma Dressel 2-4 (classe 10), de proveniência itálica e bética, além de outras, de origem gálica (forma Gauloise 4), tarraconense (forma Pascual 1) e oriental, demonstram que o comércio do vinho desempenhou um importante papel nas transacções comerciais, desde a época de Augusto e ao longo de todo o Alto Império. Já no Baixo Império destaca-se a escassa presença de contentores vinários, sendo de assinalar, todavia, a presença de produtos de origem oriental (classe 45), talvez correlativa de uma intensificação de produção vinícola regional e de uma consequente diminuição da importação deste produto. 
 

   

Menos representados são os recipientes anfóricos para transporte de preparados de peixe, sendo de assinalar, pelo seu predomínio, no Alto Império, os produtos béticos da forma 7-11 e, no Baixo Império, as formas "Almagro 50" e Beltran 72, que parecem competir com as produções lusitanas, representadas pela forma Dressel 14 e algumas de proveniência africana, com presença residual. 

As importações de azeite estão igualmente representadas por contentores anfóricos de origem bética, as conhecidas ânforas Dressel 20 (classe 25), que cruzam uma ampla cronologia, entre Tibério e os séculos III/IV. 

A análise destes produtos permite destacar o peso das importações béticas e a importância assumida pela rota atlântica, que ligava o sul da Península à Britannia. 

Os produtos cerâmicos itálicos, designadamente paredes finas e sigillata itálica são, a par das ânforas béticas, as cerâmicas de fabrico romano mais antigas em Bracara Augusta, sendo desprezível a presença de cerâmica campaniense, representada por reduzido número de fragmentos. Ao longo dos séculos I e II, regista-se a presença em Braga de cerâmicas pintadas de importação, de sigillatas itálicas, gálicas e hispânicas, estas últimas francamente maioritárias. Registe-se, contudo, que, mau grado, os reduzidos quantitativos de sigillatas itálicas e gálicas, alguns dos produtos encontrados revelam elevada qualidade. 
 

   
 
   

Para além da cerâmica Bracara Augusta importou vidros, jóias e outros produtos de luxo. Embora raros, eles revelam as exigências de uma elite urbana de refinado gosto.  
 

   

Após uma certa retracção comercial, correspondente ao século III, verifica-se, a partir de finais daquele século, inícios do IV, um recrudescimento das importações. Entre os produtos transaccionados, durante o Baixo Império, destaca-se a sigillata hispânica, a terra sigillata Clara C e D (Late Roman C), de origem norte africana e a sigillata cipriota tardia (Late Roman D), oriunda da Médio Oriente. 

Os produtos cerâmicos, particularmente as sigillatas tardias, revelam um trânsito comercial significativo com o norte de África e o Médio Oriente, também testemunhado através dos contentores anfóricos.