Muralha 

Desde o séc. XII que diversos testemunhos literários atestam que Bracara Augusta possuía uma muralha, devendo destacar-se a descrição da mesma feita por Jerónimo Contador de Argote, pelos detalhes que fornece, em 1721, da sua morfologia e traçado. Baseado em parte na descrição daquele autor e em observações pessoais, José Teixeira propõe, em 1910, um traçado hipotético daquela muralha, de forma ligeiramente oblonga.  

Várias escavações realizadas, desde 1976, em locais periféricos da cidade de Braga, procuraram confirmar a existência desta muralha.  

Sabemos hoje que o traçado proposto por José Teixeira se aproxima da realidade, sobretudo na parte sul da cidade. Com efeito, as várias intervenções realizadas pela Unidade de Arqueologia na zona do Fujacal, permitiram observar uma possante estrutura, por vezes delimitada por dois muros, outras, apenas por dois paramentos, exibindo sempre um poderoso enchimento de grandes blocos e registando aparelhos muito diversificados, alguns deles correspondendo a reparações já de época moderna. Este aspecto indica que a muralha romana foi um inportante elemento delimitador da parte sul de Braga, onde, até aos anos 70 e 80 existiam várias quintas, a maior das quais deu nome à zona: Quinta do Fujacal. 

As extensas escavações realizadas em terrenos destinados a urbanização, permitiram pôr a descoberto um pano de uma fortificação, cuja fundação data de finais do séc. III/inícios do IV. A estrutura é bastante larga, exibindo um aparelho irregular, resultante de reparações, algumas das quais feitas já na época medieval. Tudo indica que a muralha estaria ainda visível na Idade Média, acabando por vir a servir como muro de contenção de terras, como documentam os sucessivos aterros contra o seu pano interior. O próprio circuito da muralha viria a ser usado como caminho, até épocas recentes. 

Já o traçado norte foi mais difícil de determinar. Sendo suposto, a ajuizar pela planta de J. Teixeira, que a fortificação correria sob o edifício da Sé, foi feita uma escavação, em 1984, na R. da N. Senhora do Leite, paralela às traseiras do altar-mor, que não confirmou esse traçado. Só em 1997, quando se realizaram novas escavações no interior da Catedral e capelas anexas foram postos a descoberto vestígios de uma estrutura poderosa, cujo enchimento se configura semelhante ao observado no troço da Quinta do Fujacal. Assim, verificou-se que o traçado norte da muralha se situa mais a norte, acompanhando parte da R. do Souto. Em resultado desta escavação foi igualmente observado que a muralha possuía, neste local, um revestimento de grandes blocos, bem aparelhados, parcialmente desmontado para aproveitamento de pedra. 

Em 1997, numa intervenção realizada no cruzamento da R dos Bombeiros Voluntários com a Rodovia, da responsabilidade do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga, foi posto a descoberto o alicerce de um possível torreão circular da muralha, cuja localização coincide com o traçado sugerido para aquela estrutura por J. Teixeira. Ganharam, assim, mais consistência as referências a torreões, recolhidas na bibliografia, designadamente, na zona da Escola Secundária de Maximinos, no Largo do Campo Novo, no limite oeste da R. de S. Sebastião e na Igreja de Santa Cruz. Tudo leva a crer que a muralha de Bracara Augusta, à semelhança das suas congéneres de Lugo e Astorga, seria rodeada por torreões. 

Sabemos, entretanto, que a construção desta muralha deixou extra-muros vários edifícios e sacrificou outros, cujos materiais foram usados na própria fortificação. No entanto, continuamos a desconhecer se Bracara Augusta teria possuído uma muralha fundacional, de perímetro mais restricto.