Projecto de Salvamento de Bracara Augusta 

O projecto de salvamento de Bracara Augusta foi institucionalizado em 1976, na sequência de uma decisão governamental que criou as condições para a salvaguarda e estudo da área arqueológica de Braga. Para o efeito, foi criado um Campo Arqueológico, inicialmente dependente da Junta Distrital de Braga e, a partir de Janeiro de 1977, da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho. Desde então, a responsabilidade técnica e científica das escavações e acções necessárias à preservação e investigação da cidade romana passou a depender de uma equipa de Arqueologia criada pela Universidade do Minho. Até 1980, a responsabilidade dessa equipa coube a Francisco Manuel Alves e, a partir dessa data, a Francisco Sande Lemos e Manuela Pires Delgado de Oliveira. Posteriormente a 1988, a direcção do projecto integrou, ainda, Manuela Martins. 

Desde a sua institucionalização várias acções foram realizadas no âmbito deste projecto, cabendo destacar as que se relacionam com a produção de legislação cautelar para a área arqueológica e as intervenções de salvamento e de investigação.  

Muito embora o projecto de Bracara Augusta tivesse nascido num contexto de salvamento, ou seja, fundamentalmente vocacionado para preservar o rico subsolo arqueológico de Braga, ele não podia deixar de visar, também, a definição dos limites, estrutura e topografia da cidade romana, incluindo, naturalmente as necrópoles. 

A impossibilidade de garantir uma legislação protectora para uma ampla zona arqueológica,o desinteresse da autarquia pela elaboração de um novo plano de urbanização que preservasse aquela zona e, acabaram por criar, ao longo da década de 80, uma enorme pressão urbanística sobre o subsolo de Braga. Esse facto obrigou os responsáveis do projecto de Salvamento de Bracara Augusta a multiplicar intervenções de emergência e salvamento, tornando-se pouco significativas as intervenções realizadas com intuitos exclusivos de investigação. Neste sentido, nas décadas de 80 e 90, os objectivos do projecto foram sendo adaptados à realidade e ao crescimento da cidade. 

Foi, contudo, possível definir com alguma precisão a área física da cidade romana, delimitada por uma muralha, detectar vestígios de um urbanismo ortogonal, delimitar os principais núcleos de necrópoles, associados às saídas das principais vias, recuperar elementos da arquitectura antiga, estudar as produções cerâmicas e as importações. 

No entanto, estudar uma cidade romana no espaço de uma geração é uma tarefa utópica, pois qualquer escavação em área urbana fornece uma infinidade de registos, cuja publicação exige meios que não se compadecem com o ritmo de um salvamento urbano e os recursos que estão afectos ao projecto.  

Assim, entre a preservação e o estudo, o projecto de Bracara Augusta foi em boa parte da sua existência um salvamento, cuja responsabilidade continua a caber à Unidade de Arqueologia, que dispõe de reduzidos meios humanos para tão grande empreitada. 

Tendo em vista a acumulação de informações e registos das escavações, na sua maior parte ainda inéditos, os responsáveis pelo projecto decidiram dar uma nova dinâmica ao estudo e divulgação da informação, através de duas iniciativas. A primeira, relaciona-se com o tratamento informático dos dados fornecidos pelas escavações, tendo em vista a preservação e armazenagem da documentação e uma maior facilidade na sua futura manipulação. Para o efeito, encontra-se em execução um SIG (Sistema de Informação Geográfica) para a Arqueologia Urbana de Braga. A outra iniciativa visa a realização de estudos concretos, quer de materiais, quer da arquitectura dos edifícios, que estão sendo realizados no âmbito de várias teses de Mestrado. 

Sendo previsível que o Projecto de Bracara Augusta continue a ser, ainda, nos próximos anos, basicamente um projecto de Salvamento, até que diminua a pressão urbanística sobre o subsolo arqueológico da cidade, espera-se, todavia, que seja possível, graças às iniciativas referidas, divulgar o conhecimento daquela que foi a maior cidade romana do NO peninsular.