Roteiro 

Termas públicas do Alto da Cividade 

Na colina do Alto da Cividade situa-se um vasto edifício público, até agora o único conhecido em Braga, com funções de balneário. Erguidas na segunda metade do séc. I, estas termas aproveitaram parte da estrutura de um edifício anterior, datado do tempo de Augusto, ou do período Júlio Cláudio. As termas públicas, quase sempre mantidas graças ao cuidado dos municípios e ao trabalho dos escravos, eram edifícios sujeitos a grande degradação, o que explica as suas frequentes remodelações. Esse foi, também, o caso do edifício das termas do Alto da Cividade, que regista várias reparações e uma profunda remodelação, ocorrida nos finais do séc. III/inícios do IV, que alterou profundamente a organização dos seus espaços. O edifício parece ter mantido a função de balneário público até ao séc. V. 
 

As sucessivas alterações sofridas, o desmonte de alguns dos seus muros, dos quais apenas se conservam as valas de saque e, finalmente, os rasgões feitos na estrutura do edifício, nos anos 70, para implantação de infra-estruturas destinadas à urbanização do sítio, tornam difícil a sua rápida compreensão. No entanto, no local são facilmente reconhecíveis os hipocaustos das salas quentes, correspondentes aos caldários e tepidários, bem como as zonas frias, frigidários e os prefúrnios, onde os escravos queimavam a lenha, para aquecer as salas, através do ar quente que circulava pelo subsolo do edifício, ou ainda pelas tubuluras existentes no interior das paredes. São igualmente visíveis as condutas destinadas a recolher a água das piscinas. Podem também observar-se diversas salas com pavimentos de opus signinum, restos de piscinas, umas quentes, outras frias. 

As termas do Alto da Cividade começaram a ser escavadas em 1977 e encontram-se ainda em estudo, após quase 10 anos de interrupção dos trabalhos de escavação, reiníciados em 1990.  
 

Classificadas como Monumento Nacional, possuem uma área especial de protecção que condiciona a construção na sua envolvente. Situadas no interior de uma área vedada, propriedade da Câmara Municipal de Braga, encontram-se sob responsabilidade do Museu D. Diogo de Sousa que assegura a sua conservação, prevendo-se, igualmente, a sua inclusão num circuito de visita àquele Museu.  

Podem ser feitas visitas ao local durante a semana, dentro do seguinte horário: 9 às 12h e 14 às 17h. As visitas guiadas devem ser solicitadas ao Museu D. Diogo de Sousa. 
  

 
Domus de Santiago  

Desaterros realizados nos anos 60, no claustro do Seminário de Santiago, pelo Cónego Luciano dos Santos, puseram a descoberto o que julgamos ser o átrio de uma domus, rodeado de um pórtico, que dava acesso a vários compartimentos da casa. No centro da área porticada, que corresponde ao próprio claustro do seminário, foi encontrado um tanque revestido de mosaico. A desmontagem do mosaico, que se encontrava em mau estado de conservação, fragmentou-o, sendo, contudo, possível ver bocados do mesmo na área coberta do claustro, onde se exibe parte da colecção arqueológica do Museu Pio XII. Os restantes compartimentos da casa, incluindo um hipocausto de uma área privada de banhos, encontram-se sob o actual edifício do Seminário.  
 

Esta habitação foi construída na segunda metade do séc. I e sofreu uma remodelação entre finais do séc. III/inícios do séc. IV, data à qual podemos atribuir o mosaico. 

Aproveite e visite a colecção epigráfica do Museu Pio XII, uma das melhores da cidade de Braga, e veja, nas vitrines que ladeiam o claustro, os materais arqueológicos procedentes das escavações aí realizadas. Poderá observar, também, espólio variado de diferentes épocas, recolhido em diversos sítios arqueológicos do Norte de Portugal, incluindo na própria cidade de Braga. 
 

   
  

 
Insula das Carvalheiras (5) 

Em terrenos livres existentes no interior de um vasto quarteirão, situado a Oeste do Campo das Carvalheiras, foi posto a descoberto, na década de 80, parte de um bairro residencial romano. As escavações do local, da responsabilidade da U.A.U.M., iniciadas em 1983, e ainda não completamente concluídas, permitiram trazer à luz do dia uma insula inteira, limitada por quatro ruas que se cruzam e vestígios de mais duas, respectivamente a sul e Oeste. Os limites desta zona foram parcialmente destruídos: a Norte ter-se-ão desmontado os muros para erguer, numa época tardia, a muralha romana que coincide com a actual R. Cruz de Pedra; a Sul a construção de um poderoso muro de suporte aproveitou, também, a pedra romana das construções aí existentes; a Oeste, conservaram-se apenas os alicerces do pórtico que limitaria uma outra insula, cujos vestígios foram destruídos, conforme se testemunhou nas escavações aí realizadas em 1987, pois o terreno estava revolvido até à alterite granítica; a Este são ainda necessárias escavações para definir, com rigor, da existência de estruturas conservadas e soterradas. 

O feliz acaso que permitiu a conservação de um quarteirão intacto da cidade romana revelou-se de um enorme alcance científico para a compreensão da malha urbana de Bracara Augusta, pois para além de ter permitido definir um módulo de construção, com uma área de 1 actus (urbanismo), permitiu, pela primeira vez, recuperar a planta integral de uma casa romana, caracterizar fases de construção, recolher elementos de arquitectura e fornecer uma sequência de materiais para os cinco séculos de ocupação romana.  

O quarteirão residencial das Carvalheiras encontra-se ocupado por uma única construção que se desenvolve em duas plataformas, que resolvem, de um modo engenhoso, os problemas levantados pela topografia do terreno, que corresponde à vertente norte da Colina de Maximinos. 

Edificada, muito possivelmente, na primeira metade do séc. I, a habitação parece corresponder a um modelo clássico de casa de átrio e peristilo, sendo rodeada por pórticos que dão acesso a lojas, pelo menos em dois dos lados da habitação. 

Na primeira metade do séc. II a parte noroeste da casa foi profundamente remodelada, sendo aí construído um balneário privado, do qual se conservam bem definidas as áreas aquecidas, bem como os solos de opus signinum do frigidário, com duas pequenas piscinas e um apoditério. Simultaneamente, a fachada oeste foi reorganizada. 

Toda a área foi remodelada em finais do séc. III/inícios do IV. Tal remodelação afectou os pórticos, que passam a ser limitados por muretes, as próprias ruas, que são estreitadas, sendo desse período os restos conservados do pavimento lajeado e a própria habitação. Sinal dos tempos de insegurança que então se viveria, a construção parece tornar-se bastante mais fechada, sendo a qualidade da construção consideravelmente inferior. 

De um período ainda não completamente determinado, mas eventualmente centrado nos finais do séc. IV, datam algumas remodelações realizadas na área, designadamente, o encerramento das ruas, que se enchem de muros, podendo datar desse período a desafectação de alguns dos compartimentos da casa, como parece indicar a deposição de dois fustes de coluna numa das salas que envolvia o peristilo e o enterramento do tesouro encontrado no mesmo compartimento. 

Tudo indica que a casa das Carvalheiras se tenha mantido ocupada, ainda que numa área muito mais restricta, até ao séc. V. 

Embora bem conservada no seu conjunto e com alguma monumentalidade que advém da grande área descoberta e da persistência de alguns muros bem conservados, o quarteirão das Carvalheiras revela os mesmos problemas que encontramos na escavação de outras áreas da cidade de Braga: muitos muros, sobretudo os mais antigos, foram saqueados, deles restando, apenas, as valas de saque, ou os alicerces implantados na alterite. Por outro lado, sujeito que esteve a várias remodelações, o conjunto habitacional nem sempre se torna fácil de compreender. 

As ruínas das Carvalheiras estão classificadas como Imóvel de Interesse Público. Situadas em terrenos que são propriedade do município de Braga, estão sob responsabilidade do Museu D. Diogo de Sousa, estando prevista a sua musealização e integração no circuito de visita ao Museu. 

De momento, as visitas estão condicionadas, sendo necessário solicitar para as mesmas autorização e acompanhamento por parte do Museu D. Diogo de Sousa.  
  
 

Fonte do Ídolo  

Localizada já fora do circuito tradicionalmente sugerido para a muralha romana, a Fonte do Ídolo é o único monumento romano que sobreviveu intacto até aos nossos dias. Trata-se de um complexo santuário rupestre, dedicado a uma divindade fluvial indígena, Tongonabiago, pelo cidadão Celico Fronto, originário da cidade de Arcóbriga. O monumento, talhado num afloramento rochoso, especialmente cortado para o efeito, possui uma parede vertical onde se encontram as dedicatórias, bem como relevos esculpidos. Um deles representa uma figura humana, envergando uma toga e poderá figurar o próprio dedicante, Celico Fronto, que mandou fazer a obra. Ainda na mesma parede, dentro de uma pequena edícula, encontra-se um busto esculpido que poderá simbolizar a divindade à qual foi consagrado o monumento. 

Escavações realizadas no local, nos anos 50, permitiram descobrir bases e fustes de colunas, tégulas, ímbrices e aras epigrafadas que sugerem a existência de um templo, ou de outra construção associada ao santuário. Todavia, as escavações, realizadas em 1995, pela U.A.U.M., num terreno a oeste da Fonte, não forneceram quaisquer elementos que permitam comprovar esta sugestão.  

A Fonte do Ídolo, afecta à Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, está classificada como Monumento Nacional, prevendo-se a valorização do recinto onde se encontra. 

As visitas ao local são possíveis, muito embora seja necessário solicitar a chave do portão que dá acesso ao local. 
  

 
Cloaca romana 

Escavações realizadas pela U. A. U. M. nos terrenos anexos ao Antigo Albergue Distrital, onde se encontra instalada a Biblioteca Pública de Braga, puseram a descoberto um troço bem conservado de uma grande cloaca, cujo traçado e orientação coincide com um importante eixo da cidade romana. 

Graças a uma alteração do projecto foi possível conservar e integrar na construção a maior parte da cloaca, pela importância que este elemento revela em termos da compreensão do urbanismo de Bracara Augusta. 

Implantada na alterite granítica, esta cloaca é definida por dois muros paralelos, executados com cuidado aparelho, sendo coberta por grandes lages graníticas, dispostas horizontalmente. Nalguns locais a estrutura atinge a altura de 1,60m, sendo visíveis ao longo das paredes internas, e a intervalos regulares, bocas de outros esgotos que nela vinham desembocar. Sobre as lages da cloaca corria uma rua, que foi usada ainda na Idade Média, datando deste período algumas das lages ainda conservadas. 

A imponência desta estrutura, associada aos elementos arquitectónicos postos a descoberto, em 1996, no limite do terreno, constituídos por grandes blocos, alguns deles almofadados, indicadores da associação deste eixo com um pórtico monumental, e a proximidade do local onde se supõe ter estado situado o forum de Bracara Augusta, sugerem estarmos em presença do cardo norte.  

A visita ao local será possível logo que as obras da Biblioteca Pública estejam concluídas. 
  

 
Troço da muralha romana da Quinta do Fujacal 

Várias campanhas de escavação realizadas pela U.A.U.M. na zona do Fujacal, nos anos 80 e 90, num terreno propriedade da empresa local, destinado a urbanização, permitiram pôr a descoberto um troço bem conservado da muralha de Bracara Augusta. A estrutura, bastante robusta, com cerca de 4/5m de largura, possui um poderoso enchimento de grandes blocos e regista, no lado interno, um aparelho muito irregular, sendo possível identificar, quer fiadas de pedra esquadriada romana, quer aparelhos de feição mais tardia, correspondentes a reparações já de época medieval. Tudo indica que a muralha estaria ainda visível na Idade Média, acabando por vir a servir como muro de contenção de terras, como documentam os sucessivos aterros contra o seu pano interior, identificados no decorrer das escavações. O próprio circuito da muralha viria a ser usado como caminho, até épocas recentes. 

No lado exterior a estrutura é limitada por um muro de características modernas, certamente levantado para evitar o derrube da poderosa estrutura. 

As escavações permitiram datar a fundação da fortificação entre finais do séc. III/inícios do IV.  

Este troço de muralha está classificado como Imóvel de Interesse Público, encontrando-se, todavia, em terreno privado, projectado para urbanização. 

Actualmente soterrada, para evitar a sua degradação, esta estrutura virá a ser visível e visitável, uma vez realizadas as obras no local, prevendo-se a sua integração no imóvel que aí vier a ser construído. 
  
 

Ruínas do Cantinho das Frigideiras 

As escavações realizadas, em 1996, pelo Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga, no subsolo do prédio encostado à pastelaria do Cantinho das Frigideiras, destinado a ser usado como cave, puseram a descoberto um interessante conjunto de muros pertencentes a uma casa romana, datada do Baixo-Império. O conjunto dos muros definem uma ala compartimentada, do que será, muito provavelmente, uma domus. Um dos compartimentos escavados correspondia a um hipocausto do balneário da casa. 

O bom estado de conservação dos muros, que exibem um aparelho tardio, justificou um entendimento relativo à preservação do conjunto e à sua musealização, realizada em colaboração com o Museu D. Diogo de Sousa. Assim, findas as obras no local e a expensas do proprietário, as ruínas foram tratadas e iluminadas, sendo hoje possível a sua completa visualização de cima, através do vidro que constitui o piso da pastelaria. 

O conjunto pode ser visitado dentro do horário de funcionamento normal do estabelecimento.