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Acesso: O acesso ao local faz-se pelo estradão florestal de terra batida que atravessa a serra da Cabreira ligando Anjos a Zebral. Entre o Cabeço do Escápio e Raposeira deve virar-se para NO, em direcção à Costa do Fojo, por um ramal que vai atravessar a cumeada onde se implantam os fojos, entroncando depois no estradão que liga Ruivães a Pinheiro. Junto à passagem do Ribeiro do Fojo evidenciam-se os paredões do Fojo.1 (fojo do Ribeiro do Fojo) cortados pelo estradão.
Descrição Física: O conjunto monumental designado por fojos de lobo da Cabreira situa-se na linha de cumeada formada por Cortegacinhas, Alto do Seixo, Pau da Bela e Trovão, elevações que prolongam o alto da Cabreira para nascente. Os fojos implantam-se no início da vertente Sul desta linha de cumeada, abrangendo as cabeceiras das linhas de água que originam os Ribeiro do Fojo, Ribeiro das Figueiras Bravas e Ribeiro do Fojo Novo ou da Boca do Ribeiro, que mais abaixo se juntam para iniciar o rio Ave. Zona de cumeada e início de vertente, bem drenada e amplamente exposta a Sul, apresenta uma cobertura vegetal diversificada, com bosquetes de bétulas, salgueiros e carvalhos no fundo dos talvegues e manchas de pinheiros nas encostas, onde também dominam as giestas. Nas mais vastas áreas desarborizadas predominam os fetos e herbáceas, que crescem por entre a elevada pedregosidade do solo. O substrato rochoso, granítico, que aflora em caos de blocos ou sob a forma de arena de alteração, é recoberto por um solo pouco espesso e pouco fixado. Com características geomorfológicas únicas, em que se destacam os importantes depósitos sedimentares holocénicos da Chã do Prado e da Chã Pequena e as superfícies de erosão tardiglaciar de Chã de Lousas, a cumeada da serra da Cabreira apresenta-se despida de vegetação arbórea. A vastidão aplanada dos cumes da Cabreira são zona de pastoreio extensivo, incorporando algumas chãs húmidas ricas em pasto, onde ainda se conservam cabanas e currais de abrigo utilizados desde a Idade Média pelos pastores das aldeias vizinhas, no tradicional sistema sazonal das vezeiras.
Descrição Arqueológica: O conjunto monumental designado por fojos de lobo da Cabreira é constituído por três construções independentes, formada cada uma por dois paredões que convergem num poço desenhando uma planta em V. O monumento localizado a Este é conhecido simplesmente por Fojo do Ribeiro do Fojo ou Fojo de Pau da Bela (é designado, neste texto, por Fojo.1); o monumento central é conhecido por Fojo do Ribeiro das Figueiras Bravas (Fojo.2 neste texto); o monumento localizado a Oeste do conjunto é nomeado Fojo Novo (recebe aqui a designação de Fojo.3). Os terrenos onde se implantam os monumentos são baldios das freguesias de Anjos, Rossas, Ruivães e Vilarchão, administrados pelos respectivos conselhos directivos. Descrevem-se em seguida as características construtivas e planimétricas de cada uma dessas construções:
Fojo.1 (Fojo do Ribeiro do Fojo)
Fojo.2 (Fojo do Ribeiro das Figueiras Bravas)
Interpretação: As construções descritas são, em terminologia técnica venatória, armadilhas de caça defensiva, neste caso para captura de lobos, designando-se correntemente por fojos de lobo. Inscrevendo-se no tipo mais comum de fojos em V frequentes nas serras do Noroeste, apresentam aqui algumas particularidades interessantes: o Fojo.1 possui um paredão transversal, característica que se identifica num outro exemplar, o Fojo Novo da Ermida, na serra Amarela, construído antes de meados do século XVIII; o Fojo.3 apresenta uma bateria de pequenos abrigos, que se destinariam a acolher os caçadores, que daí disparavam contra os lobos, funcionando portanto como uma espécie de portas de caça ou casamatas. Para uma correcta apreensão do sistema de funcionamento dos fojos, que implicava a batida a partir da base da vertente Noroeste do maciço da Cabreira, desde Ruivães e Campos, é indispensável considerar, como elemento fisiográfico constituinte do sistema, toda a linha de cumeada da serra da Cabreira, desde o Trovão à Chã do Prado. Para os lobos afugentados pela barulheira dos batedores e acossados pelos cães, a cumeada da serra era uma espécie de linha de não retorno, pois a sua passagem implicava a descida em direcção aos fojos.
Cronologia: Para o Fojo.1, pelo seu característico paredão central, pela sua dimensão e porque o pastoreio conheceu um significativo incremento na Época Moderna, propõe-se uma cronologia balizada entre finais do século XVI e inícios do século XVIII. Relativamente ao Fojo.2, não se conhecendo qualquer referência documental, directa ou indirecta, à data de construção, pode admitir-se que seja da mesma época do Fojo.1 ou até anterior. Em relação ao Fojo.3 sabe-se, com base em fontes historiográficas, ter sido construído na segunda década deste século (VIEIRA 1925: 144). É portanto o fojo mais recente do conjunto, como sintomaticamente acentua o topónimo que o designa - Fojo Novo.
Bibliografia: CAMPOS, António J.T. de (1998) - Serra da Cabreira. Guia dos Trilhos Pedestres da Serra da Cabreira, Centro de Interpretação e Animação da Serra da Cabreira, Vieira do Minho, pp.32-33.
DEVY-VARETA, Nicole (1993) - A Floresta no Espaço e no Tempo em Portugal. A arborização da Serra da Cabreira (1919-1975), dissertação de doutoramento (policopiada), Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, 1993.
VIEIRA, J.C. Alves (1925) - Vieira do Minho. Notícia Historica e Descriptiva, União Gráfica, Vieira do Minho, pp.144.
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