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Lage dos Cantinhos

VM.06

Complexo de arte rupestre ao ar livre

Lugar: Zebral

Freguesia: Ruivães

Concelho: Vieira do Minho

Código Administrativo: 031114

Latitude:41.39.28

Longitude: 1.05.42

Altitude: 790 metros

 

Extracto da Carta Militar de Portugal, escala 1:25000, com localização do sítio arqueológico.
Panorâmica parcial do sítio da “Laje dos Cantinhos”, vista de NE. Acesso: O acesso ao local faz-se a pé, por caminho de pé posto directamente a partir do estradão que liga as aldeias de Espindo e Zebral. Em vez de descer em direcção à linha de água, deve virar-se à esquerda, em direcção ao muro de divisão de propriedade (o monumento está a menos de 40 metros da estrada). Vista parcial da “Laje dos Cantinhos” evidenciando motivos cruciformes e recticulados.

 

DescriçãoFísica: Zona de vertente profundamente recortada e drenada por inúmeras linhas de água, apresenta uma cobertura vegetal dominada por floresta de pinheiros, com tojo rente ao solo. O substrato rochoso, granítico, é recoberto por um solo pouco espesso, que frequentemente deixa a descoberto massas rochosas. Sobranceiro à margem esquerda do ribeiro de Soutinho, com visibilidade circundante reduzida, o local expõe-se a NE.

 

Trabalhos Arqueológicos: Em 1997 uma equipa da UAUM efectuou o levantamento dos motivos gravados, por decalque directo sobre plástico cristal

 

Vista parcial da “Laje dos Cantinhos” evidenciando motivos de inspiração cristã.
Descrição Arqueológica: O monumento designado por gravuras rupestres de Zebral é um afloramento granítico que se desenvolve por uma distância aproximada de 30 metros, sendo atravessado a noroeste por um muro em pedra vã correspondente ao cercado de uma bouça de pinheiros e carvalhos. Apresenta-se parcialmente recoberto por uma camada humosa pouco espessa, individualizando-se diversas lajes de superfície horizontal, mais ou menos extensas. Três dessas lajes, abrangendo uma área total aproximada de 20 m2, encontram-se gravadas com inúmeros motivos geométricos e esquemáticos. Como evidenciou o registo preliminar feito através de decalque directo para plástico “cristal”, dominam os quadrados, recticulados ou simples, com ou sem fossetes, os cruciformes e motivos compósitos de círculos encimados por cruciformes e interior preenchido com uma espécie de estrela de cinco pontas. Os motivos foram gravados na rocha através de técnicas mistas de martelagem, picotagem e abrasão, apresentando acabamentos pouco cuidados e traços irregulares. Os sulcos apresentam-se, em média, com 2 centímetros de largura e 1 centímetro de profundidade. Algumas gravuras ou motivos nunca foram concluídos. Nas partes mais expostas da rocha, onde a erosão eólica actuou com maior intensidade, as gravuras apresentam-se parcialmente apagadas ou menos visíveis

 

Interpretação: O monumento designado por gravuras rupestres de Zebral é conhecido pela população local pelo nome de “Laje dos Cantinhos”, atribuindo-se tradicionalmente aquelas gravuras a "jogos que ali entretinham os rapazes há muito tempo". Embora para nós, hoje, o complexo de gravuras rupestres ao ar livre do Zebral se apresente com uma funcionalidade e sentido dificilmente apreensíveis, não há dúvida que constitui uma expressão artística que monumentaliza a paisagem, sendo comparável a diversos outros monumentos já conhecidos no Norte de Portugal Extracto do desenho das gravuras obtido por decalque directo, ilustrando os motivos dominantes.

Cronologia: Sendo difícil atribuir-lhe uma cronologia precisa, deve admitir-se que tenha conhecido gravações em diversas épocas. Se se tiver em consideração a tipologia das gramáticas decorativas (por similitude com outros monumentos do Noroeste peninsular) e o contexto arqueológico-histórico próximo, em que relevam o povoado fortificado pré-romano de Outeiro do Vale, o povoado romano de S. Cristovam e as aldeias medievais e modernas de Espindo e Zebral, pode propor-se para o conjunto do complexo uma cronologia compreendida entre a Idade do Ferro e Idade Média - os motivos geométricos e esquemáticos devem ser os mais antigos, enquanto as composições com pentágono estrelado inscrito e cruzes revelam já uma origem cristã.

Bibliografia: Inédito

Observações:Pelas suas características iconográficas, pela sua dimensão, pela sua raridade relativa e estado de conservação, o monumento designado por gravuras rupestres de Zebral / “laje dos cantinhos” é um bom exemplar de arte rupestre ao ar livre do interior serrano minhoto, possuindo um inegável valor socio-cultural e grande interesse científico. Pelas estas razões, a Câmara Municipal de Vieira do Minho propôs que o monumento designado por gravuras rupestres de Zebral / “laje dos cantinhos” fosse classificado como Imóvel de Interesse Público (ou Monumento de Valor Regional).

Autor: Luis Fontes

Ligação à C.M de Cabeceiras de  Basto

Ligação à C.M. de Vieira do Minho

Ligação à Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho

Ligação ao Projecto Geira

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