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Chã da Arandosa / Saltadouro

VM.13

Povoado

Lugar: Lage

Freguesia: Vilar Chão

Concelho: Vieira do Minho

Código Administrativo: 031121

Latitude:41.38.15

Longitude: 1.03.55

Altitude: 915 metros

 

	Extracto da Carta Militar de Portugal, escala 1:25000, com localização do sítio arqueológico.

(ID607-315:25) - Vista parcial de uma zona com ruínas em Chã da Arandosa.

Acesso: Por estradões florestais que derivam da estrada Pinheiro / Ruivães, em direcção ao alto da Cabreira pela encosta do Saltadouro e Chã do Prado.

Descrição Física:Ampla chã alveolar na encosta poente do cume da Cabreira, recortada por inúmeras linhas de água que limitam pequenos outeiros e lombas. Com ampla exposição a Sudoeste, lado para onde possibilita um vasto horizonte de visibilidade, que se estende a toda a bacia do alto Ave, apresenta manchas de solo espesso e bem irrigado, com cobertura vegetal rasteira dominada por herbáceas e fetos. O substrato granítico aflora em massas boleadas dispersas. Nas zonas mais húmidas desenvolveram-se lameiros, que são explorados como prados de montanha. Nas zonas mais declivosas a pedregosidade é elevada, subsistindo solos esqueléticos que sustentam matos rasteiros. Existem ainda alguns bosquetes dispersos de bétulas, abetos e pinheiros. Em algumas áreas percebe-se uma ligeira armação do terreno em socalcos, sustentados por aglomerações de pedras toscamente alinhadas.

 

 

 

 

(ID574-773:1) - Vista parcial de uma zona com ruínas em Chã da Arandosa.

Descrição Arqueológica:Neste local encontram-se restos de inúmeras edificações de planta quadrangular e rectangular com cerca de 4 metros de lado, dispostas em bandas contínuas ao longo de um eixo principal orientado NE / SO, que deverá corresponder a um arruamento. Cobrem uma área superior a 500 m2. Conserva-se a parte inferior das paredes, formadas por grandes lajes graníticas simplesmente encostadas e fincadas no solo, aproveitando por vezes os próprios afloramentos naturais de rocha. Muitas outras lajes e blocos encontram-se tombadas ao longo das paredes, onde se identificam ainda alguns vãos correspondentes às entradas. Não parece conservar-se sedimentação antrópica significativa. Não se recolhe qualquer tipo de espólio.

 

Interpretação:Do ponto de vista construtivo, encontramos paralelos para estes vestígios em arqueossítios da serra Amarela, como Chã da Torre e Porto Chão, no Lindoso. Nas construções da branda de Bilhares, Ermida, ou nas brandas da Peneda e do Soajo, do outro lado do rio Lima, bem como nas do vale alto do rio Vez, julgamos encontrar bons paralelos etnográficos para este tipo de habitats. Com base nestes paralelismos e valorizando a circunstância da implantação se fazer junto de bolsas de solos agricultáveis, neste caso acompanhada de socalcos, entendemos que estes núcleos de construções (tipo "pardieiros" ou "colmaços") serviriam uma exploração agrícola sazonal do sítio, funcionando como arrecadação e/ou abrigo episódico, bem como currais, também em regime de ocupação temporária. Pode, assim, classificar-se o sítio como "branda agro-pastoril".

Cronologia: A ocupação deste local ter-se-á desenvolvido durante a Idade Média e princípios da Época Moderna, articulando-se muito provavelmente com o núcleo populacional de Vilar Chão. Sintomaticamente, a tradição popular relaciona o local com a existência de uma muito antiga aldeia de S.Bento, de localização incerta.

Bibliografia:

                        CAMPOS, António J.T. de (1998) - Serra da Cabreira. Guia dos Trilhos Pedestres da Serra da Cabreira, Centro de Interpretação e Animação da Serra da Cabreira, Vieira do Minho, pp.42.
                        TEIXEIRA, Carlos (1947) - Ruínas de povoados antigos na Serra da Cabreira, Revista de Guimarães, LVII, (1-2), Sociedade Martins Sarmento, Guimarães, pp.50-54.
                        VIEIRA, J.C. Alves (1925) - Vieira do Minho. Notícia Historica e Descriptiva, União Gráfica, Vieira do Minho, pp.53.

Observações: Este arqueossítio possui bastantes vestígios de estruturas, dependendo a sua conservação da maior ou menor erosão do solo local. Não correndo qualquer risco imediato, importa fazer o seu levantamento topográfico e sujeitar o sítio a limpezas periódicas dos excessos de vegetação arbustiva. Com bastante significado para a compreensão da paisagem arqueológica regional, particularmente no que respeita à difusão e modalidades do povoamento medieval, a que acresce a qualidade paisagística da sua implantação fisiográfica, este sítio-monumento constitui um recurso de grande valor. Deve por isso ser objecto de um projecto específico de protecção, estudo, conservação e aproveitamento, justificando-se a sua classificação futura.

Autor: Luis Fontes

Ligação à C.M de Cabeceiras de  Basto

Ligação à C.M. de Vieira do Minho

Ligação à Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho

Ligação ao Projecto Geira

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