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Marmoirais

CB09

Necrópole megalítica e arte rupestre

Lugar: Arnado

Freguesia: Abadim

Concelho: Cabeceiras de Basto

Código Administrativo: 030401

Latitude:41.33.10

Longitude: 1.08.40

Altitude: 710 metros

 

Extracto da Carta Militar de Portugal, escala 1:25000, com localização do sítio arqueológico de Marmoirais.

Panorâmica do sítio de Marmoirais, vista de Norte.

Acesso: Pelo estradão que, ligando Abadim a Travassô, passa junto à pista de aviação em construção na cumeada do Outeiro das Moças. O sítio arqueológico ocupa a zona nascente do extremo Sul da pista.

 

Descrição Física:Cumeada aplanada do promontório que domina, pelo lado Norte, a confluência dos rios Peio e Rio Douro. A encosta nascente (vertente direita do vale do rio Rio Douro) inicia-se de forma suave, recortada por talvegues abertos que drenam as águas abundantes. O substracto granítico surge sob a forma de arena, pontuada por massas rochosas pouco extensas que afloram muito fracturadas. A cobertura vegetal, suportada por solos esqueléticos, é dominada por matos rasteiros (tojo, urze, giesta e fetos). Alguns pequenos pinheiros sobrevivem, dispersos.

 

Panorâmica do sítio de Marmoirais, vista de SO.

 

Trabalhos Arqueológicos: Em Setembro de 1990 o topógrafo Manuel Carvalho dos Santos, da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, efectuou um levantamento topográfico da Mamoa.2 (REBANDA 1990: ficha Mamoa 1 de Asnela).

Perspectiva das Mamoa.2 e 3 de Marmoirais, vista de SO.

Mamoa.4 de Marmoirais, vista de SO.

Mamoa.5 de Marmoirais, vista de Oeste.

Vista parcial, de NO, da zona de afloramentos rochosos com gravuras rupestres, em Marmoirais.

Pormenor de motivos cruciformes e antropomorfo gravados na rocha, em Marmoirais.

 

Descrição Arqueológica: Na plataforma que recolhe o aterro no extremo SO da pista de aterragem, em construção, identificam-se 5 monumentos tipo “mamoa”, sendo comum a todos eles a existência de um tumulus muito baixo de terra e pedras e de fragmentos dispersos de cerâmica de fabrico manual. Parcialmente soterrado pelo aterro da pista e cortado pelo antigo caminho carreteiro que descia para o lugar de Arnado, e ao longo do qual segue uma levada de água, localiza-se a Mamoa.1, com cerca de 6 metros de diâmetro e ligeira cratera central; do lado oposto, a nascente do caminho e também parcialmente cortadas pela sua abertura, identificam-se as Mamoa. 2 e 3, com cerca de 7 metros de diâmetro, evidenciando-se ao centro das massas pétreas a cratera de violação, destacando-se numa delas uma laje maior que poderá corresponder a um esteio deslocado da câmara; cerca de 50 metros para Este localiza-se a Mamoa.4, com cerca de 4 metros de diâmetro e ligeira depressão central, acentuada pela aglomeração circular de calhaus; aproximadamente a 100 metros para Sul dos monumentos 2 e 3, na margem poente do caminho, fica a Mamoa.5, a maior do conjunto com cerca de 12 metros de diâmetro e 0,7 metros de altura, sem cratera de violação perceptível. Para Sudeste do conjunto descrito, iniciada já a vertente que desce para Pedreiras, afloram massas graníticas de grão grosseiro em cujas superfícies foram gravados, de modo mais ou menos cuidado, através de picotagem e abrasão, inúmeros motivos geométrico-esquemáticos. Nas cerca de 5 rochas identificadas são frequentes os cruciformes isolados ou inscritos em círculos, mas predominam os antropomorfos esquematizados, inscritos numa espécie de cartela idoliforme.

 

Interpretação: Embora mal conservado, à excepção da Mamoa.5, que poderá estar intacta, trata-se de um característico conjunto de monumentos tipo “mamoa”, provavelmente com estruturas tipo cista, que habitualmente se classifica como necrópole megalítica. Importa aqui salientar o topónimo Marmoirais pelo qual se designa o local, classificável na categoria da toponímia tumular. Aparece aqui associado a um significativo conjunto de gravuras rupestres insculpidas nos afloramentos graníticos das proximidades.

Pormenor de motivo antropomorfo relevado insculpido na rocha, em Marmoirais.

Pormenor de motivo antropomorfo inscrito em cartela idoliforme gravado na rocha, em Marmoirais.

Cronologia: Considerando a ergologia dos materiais cerâmicos, a tipologia formal e estilística dos motivos gravados e a similitude geral com conjuntos semelhantes identificados um pouco por todas as serras do Noroeste, também esta necrópole e arte rupestre poderão datar-se do IIº / Iº milénio a.C..

Bibliografia:

                        Inédito.

Observações: As coordenadas reportam-se a um ponto central do sítio. Este sítio é importante para a compreensão da ocupação serrana na pré-história recente. Deve ser protegido de qualquer acção destrutiva, designadamente movimentação de máquinas e de terras relacionadas com a construção da pista de aterragem, e objecto de um projecto específico de estudo, conservação e aproveitamento, justificando-se a sua classificação futura, tanto mais quanto a zona das rochas gravadas não foi observada com pormenor, admitindo-se que uma prospecção mais intensiva, precedida de uma limpeza da vegetação, possibilite identificar um significativo conjunto de rochas gravadas.

Autor: Luis Fontes

Ligação à C.M de Cabeceiras de  Basto

Ligação à C.M. de Vieira do Minho

Ligação à Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho

Ligação ao Projecto Geira

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