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Fojo de Uz

CB.13

Armadilha de caça

Lugar: Uz / Samão

Freguesia: Rio Douro / Vilar de Cunhas

Concelho: Cabeceiras de Basto

Código Administrativo: 030415 / 17

Latitude:41.33.50

Longitude: 1.15.20

Altitude: 960 metros

 

Extracto da Carta Militar de Portugal, escala 1:25000, com localização do sítio arqueológico do Fojo de Uz.

Vista parcial das ruínas do poço do fojo de Uz.

Acesso: Pelo estradão de terra batida (CM.1724) que liga Uz a Vilar de Cunhas.

 

Descrição Física:Zona de vertente correspondente à encosta nascente do Alto da Meijoadela, relevo que prolonga para SE a chã planáltica de Uz. Limitada a Sul pelo Alto das Lameiras e a Norte pelo Alto do Rio do Pito, constitui a margem direita do troço inicial do Ribeiro do Freito. Com exposição a nascente e de visibilidade limitada a esse quadrante, é uma zona húmida, ocupada com povoamentos florestais de píceas, pinheiros, bétulas e cameciparis, que partilham com densos giestais e urzais um solo pobre, de elevada pedregosidade, que recobre o substracto rochoso granítico.

 

Troço arruinado do paramento nascente do fojo de Uz, nas proximidades do poço.

 

Troço arruinado do paramento poente do fojo de Uz.

Descrição Arqueológica: No extremo Sudoeste dos pastos vedados de Lameiras, coincidente com a passagem do estradão que liga Uz a Vilar de Cunhas, sensivelmente à cota de 910 metros, situa-se a zona terminal de um grande paredão que se prolonga para NO subindo a encosta ao longo de aproximadamente 375 metros até à altitude de 960 metros, onde termina num poço de planta circular com 6 metros de diâmetro e cerca de 2,5 metros de profundidade, parcialmente entulhado com os derrubes das paredes. Deste poço arranca outro paredão na direcção SO, vencendo uma lomba ao longo de outros 375 metros. Os dois extremos dos paredões opostos ao poço ficam distantes entre si cerca de 500 metros, desenhando o conjunto uma planta em “V” de lados simétricos. Construídos em alvenaria de blocos de granito, os paredões e o poço apresentam duas faces paralelas com miolo preenchido por cascalho, calhaus e argamassa de saibro, definindo uma parede com 0,9 metros de espessura média. Na metade superior do paredão poente o paramento interno incorpora grandes lajes de granito fincadas verticalmente no solo. Numa destas lajes foi gravada um inscrição onde se lêm, com dificuldade, alguns algarismos. Esta construção apresenta-se muito mal conservada, tendo praticamente desaparecido o paredão Oeste, percebendo-se bem saques recentes de pedra, nomeadamente nas proximidades do largo aceiro corta-fogos que rasgou a linha de cumeada até ao marco geodésico de Custódia. Os troços junto dos poços estão em melhor estado, conservando aí mais de metade da sua altura original, que deveria atingir os 2,5 metros.

 

Interpretação: A construção descrita é, em terminologia técnica venatória, uma armadilhas de caça defensiva, neste caso para captura de lobos, designando-se correntemente por fojo de lobo. Inscrevendo-se no tipo mais comum de fojos em “V” frequentes nas serras do Noroeste, apresentam aqui duas particularidades interessantes, como sejam a solução construtiva em parede de dupla face paralela, sem alambor, com aparelho mais pequeno, o que denota um maior cuidado construtivo e a implantação “atípica” do fojo, com um dos paredões a subir para o poço e não os dois a descer, como é vulgar, colocando assim o fojo “atravessado” na encosta. A batida deveria fazer-se desde Moimenta, subindo para Norte em direcção ao Porto do Fojo e daí até aos Alto das Lameiras e Alto da Meijoadela. A passagem da portela significaria, para os lobos acossados, a entrada no fojo.

Pormenor de laje com inscrição no troço inicial do paramento poente do fojo de Uz.

Cronologia: Porque o pastoreio conheceu um significativo incremento na Época Moderna, também este fojo aceita uma cronologia balizada entre finais do século XVI e inícios do século XVIII. Porém, considerando a mais evoluída técnica construtiva, bem como a possibilidade de os algarismos gravados numa das lajes do paredão Oeste poderem corresponder a uma data que tanto pode ser 1668 como 1868, admite-se que a construção deste fojo da Uz possa ser uma realização já do século XIX.

Bibliografia:

                        CAMPOS, António J.T. de (1998) - Serra da Cabreira. Guia dos Trilhos Pedestres da Serra da Cabreira, Centro de Interpretação e Animação da Serra da Cabreira, Vieira do Minho, pp.52.

Observações: As coordenadas reportam-se ao poço do fojo.

Autor: Luis Fontes

Ligação à C.M de Cabeceiras de  Basto

Ligação à C.M. de Vieira do Minho

Ligação à Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho

Ligação ao Projecto Geira

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