SICT realiza "workshop" em Guimarães

O SICT (Sistema de Informação sobre Ciência e Tecnologia) promove, nos dias 4 e 5 de Fevereiro, uma reunião de trabalho em Guimarães, com responsáveis do SICT nas universidades da região Norte envolvidas, concretamente: Universidade de Aveiro, Universidade Católica Portuguesa, Universidade do Minho, Universidade do Porto e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Este encontro, de responsáveis pelo desenvolvimento e expansão do Sistema, tem como objectivo principal uma avaliação interna dos resultados técnicos e de utilização do SICT, nos vários serviços que este já disponibiliza.

Recorda-se que este sistema insere-se numa das áreas de intervenção temática do GEIRA – a área da Ciência e Tecnologia, que tem por missão a construção e colocação em funcionamento de um sistema de informação sobre as realidades da Ciência e Tecnologia nas instituições de ensino superior, participantes no Geira, e em particular do norte de Portugal (universidades da AURN).

No SICT existem dois perfis de utilizador: Não Registado e Registado. Aos utilizadores não registados apenas é permitido consultarem a informação existente; quanto aos utilizadores registados é possível uma participação activa, ou seja, para além de poderem pesquisar, podem e devem gerir a sua própria informação e usufruir dos diversos serviços que o SICT disponibiliza.

Assim, a participação na base de dados do SICT implica uma atitude de criação, manutenção e aproveitamento da informação que fica, deste modo, disponível a todos os utilizadores deste catálogo de informação.

Cada entidade ou pessoa é responsável pela actualização dos seus dados. A informação poderá ser alterada em qualquer apenas pelo seu fornecedor ou pelo SICT.

Deste modo, a filosofia do Sistema assenta na adopção do princípio de que a informação deve ser criada e mantida como propriedade dos seus originadores.

Serviços disponibilizados

Neste momento, o SICT disponibiliza para todos os utilizadores os seguintes serviços:

Pesquisa: permite realizar consultas sobre a informação relativa a Docentes, Alunos, Funcionários, Financiamentos, Projectos de I&D e Instituições.

Biblioteca: permite fazer pesquisas sobre as publicações, isto é, livros, artigos de revistas, teses e "proceedings", introduzidos pelos Docentes na base de dados do SICT. Os resultados obtidos são apresentados sob a forma de referências bibliográficas, que poderão incluir resumos e texto integral.

Para além destes serviços o SICT disponibiliza aos utilizadores registados, os seguintes serviços:

Colocação da informação pessoal

Geração automática de uma ‘página pessoal’ - permite, a qualquer entidade registada no SICT, aceder directamente aos seus dados através do URL: http://www.geira.pt/sict/<login>.

Aos Docentes:

Curriculum Geral permite ao utilizador registado a visualização do seu curriculum, contendo apenas os dados gerais, e a sua geração automática;

Curriculum Detalhadopermite a visualização e ‘download’ do seu currículo, pormenorizado, possibilitando ao utilizador seleccionar os itens que deseja ver incluídos nesse currículo.

Relatório do Biéniopossibilita a geração automática do relatório de actividades referente ao biénio especificado.

Relatório Periódico – possibilita a geração automática do relatório de actividades referente ao período especificado.

 

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Jose.Lima@um.geira.pt


 

GEIRA debate a normalização nos museus

Mais de meia centena de especialistas da museologia portuguesa reúnem-se em Guimarães dias 28 e 29.

Geira-Novas, 25/01/99 - O projecto GEIRA (http://www.geira.pt) organiza, nos próximos dias 28 e 29, uma mesa redonda subordinada ao tema "Normalização em Museus: inventário e gestão de colecções museológicas".

Este evento, que decorrerá em Guimarães, reúne mais de meia centena de especialistas, que têm por objectivo debater os aspectos relacionados com a normalização da catalogação e gestão de colecções museológicas. O palco deste evento será repartido pelo Museu Alberto Sampaio e pela Biblioteca Municipal Raul Brandão, de forma a permitir uma adequada distribuição dos vários grupos de trabalho.

A organização envolve para além do grupo de trabalho de Museus do GEIRA, o Museu Dom Diogo de Sousa de Braga e Instituto Português dos Museus

A necessidade de encontrar regras razoavelmente standardizadas, nos vários campos da lide museológica, deve-se principalmente às necessidades de utilização das tecnologias informáticas pelos museus e às dificuldades sentidas utilizar as redes de comunicações globais existentes na divulgação e pesquisa, dos riquíssimos espólios que estes "escondem".

Os vários temas de debate vão desde a arqueologia, etnologia, artes plásticas e decorativas, ciência e técnica, conservação, biblioteca, e arquivo e imagem. Com este leque abrangente de assuntos o GEIRA, espera conseguir uma abordagem dos vários áreas e problemas actuais da museologia.

Na actual situação, a inexistência de consensos alargados nesta matéria faz com que diferentes museus adoptem modelos de catalogação e tratamento informático das suas colecções, que na prática os deixam quase na mesma situação de isolamento, por incompatibilidades dos seus sistemas informáticos, não permitindo a troca de dados, nem a pesquisa global de informação, nomeadamente com recurso à Internet.

Ao debater a normalização procura-se definir regras para a estruturação da informação, elaboração de sistemas de controle de vocabulário e desenvolvimento mecanismos que possibilitem a comunicação dos diferentes sistemas informáticos. Normalizar no sentido de tornar de facto viável a comunicação.

Em Portugal e no que respeita especificamente ao inventário e gestão das colecções, o início do processo de informatização em muitos museus - que neste momento deve já atingir as oito dezenas - tem contribuído para perceber a urgência da realização de iniciativas que permitam a definição das regras essenciais em torno das quais se poderá desenvolver a comunicação entre os museus e entre os museus e o público.

Internacionalmente, são há muito conhecidas diferentes iniciativas e organismos (http://www.cidoc.icom.org/stand2.htm) que hoje em dia procuram intervir nas diversas vertentes da normalização da actividade dos museus.

No que respeita ao processo de normalização da catalogação e gestão de colecções museológicas, existem actualmente duas propostas de normalização, por iniciativa da MDA (Museum Documentation Association) (http://www.open.gov.uk/mdocassn/mdaspec1.htm) e do CIDOC (International Council of Museum) (http://www.cidoc.icom.org/) que constituem o resultado do trabalho e da longa experiência de muitos profissionais de museus.

Com o objectivo de avaliar estas duas propostas e a forma como podem ser adaptadas à realidade portuguesa, o projecto GEIRA organiza este Seminário. A base de trabalho será constituída pelas propostas do CIDOC e da MDA, bem como as propostas implícitas em algumas aplicações informáticas portuguesas.

A organização pretende também, ao promover o debate entre os profissionais dos museus, identificar as iniciativas em curso, avaliar as implicações da definição de normas e perspectivar a continuação deste importante debate.

 

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"Geira" liga museus do Norte à Internet

Todos os museus associados vão ter ligação RDIS, e apoio técnico especializado

Geira-Novas, 19/01/99 - O Museu da Indústria Têxtil, de V. N. de Famalicão integra o grupo dos primeiros museus, de um conjunto de mais de quarenta, que vão ter ligação à Internet por linha RDIS, fornecida pelo Projecto Geira. A morada "virtual" deste museu é: http://www.geira.pt/mitextil.

Os museus, que integram o Geira, estão espalhados por toda a região Norte e, além de terem o seu "site" na Internet, vão usufruir de condições facilitadas de acesso à Internet por ligação RDIS, bem como de um serviço de apoio técnico especializado (à semelhança do que já é feito no projecto "Internet nas Escolas"), que lhes dará apoio imediato por telefone, quando tiverem dificuldades de acesso ou de utilização da Internet.

Durante esta semana, um 1.º grupo de seis museus passa a ter acesso à Internet, são eles:

Museu da Indústria Têxtil, Famalicão; (homepage e já com acesso à "Net")

Museu da Sociedade Martins Sarmento (homepage), Paço dos Duques de Bragança e Museu Alberto Sampaio, de Guimarães; (só com acesso à "Net")

Museu Nacional da Imprensa e Museu da Ciência e Indústria, do Porto (só com acesso à "Net")

O Geira (http://www.Geira.pt) em conjunto com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão inauguram (hoje, terça, dia 19), desta forma, no Museu da Indústria Têxtil, o inicio da fase de ligação dos museus do Norte à Internet, em que estes passam a ter linhas RDIS e acesso total à "Web".

O Projecto Geira nasceu em 1997 de uma parceria entre a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, tendo por objectivo fomentar a circulação de informação sobre o património científico, cultural e natural do Norte de Portugal e da Galiza, nomeadamente com recurso à Internet e a CD-ROM.

Na vertente cultural, para além de bibliotecas, arquivos e sítios arqueológicos, o Geira tem actualmente 22 museus "on-line", principalmente do Minho e de Trás-os-Montes, do qual passa agora a fazer parte o Museu da Indústria Têxtil, cuja morada é: http://www.Geira.pt/mitextil.

Os outros 21 museus que já têm página na "Net" são:

Distrito de Braga: Museu D. Diogo de Sousa - Braga, Museu Nogueira da Silva - Braga, Casa Museu Camilo - Famalicão, Museu de Agricultura de Fermentões - Guimarães, Museu da Sociedade Martins Sarmento - Guimarães; Museu da Olaria - Barcelos e Museu Municipal de Esposende;

Distrito de Bragança: Museu Abade de Baçal - Bragança, Paços da seda - Macedo de Cavaleiros, Museu do Ferro e da Região de Moncorvo - Torre de Moncorvo, Museu Armindo Teixeira Lopes - Mirandela, Museu Municipal de Vila Flor, Sala Museu Municipal de Arqueologia de Mogadouro e Museu Terra de Miranda- Miranda do Douro.

Distrito do Porto: Museu Vivo da Comutação Manual - Vila do Conde; Museu das Rendas - Vila do Conde e Casa Museu Abel Salazar - S. Mamede de Infesta;

Distrito de Viana: Museu Municipal de Viana do Castelo e Museu do Bombeiro Manuel Vadés Sobral - Valença;

Distrito de Vila Real: Casa de Mateus, Museu de Vila Real e Museu da Região Flaviense - Chaves;

A breve prazo (final do primeiro trimestre) vão estar no "site" do Geira mais de quarenta museus.

O objectivo é ligar todos os museus do Norte à Internet, com linhas RDIS, construir uma página para cada um deles e, no futuro, possibilitar a pesquisa simultânea de informação em toda a rede de museus do Geira.

Estas condições de acesso, extremamente favoráveis para os museus, que se encontrem ligados ao Projecto Geira foram concedidas pela Rede de Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS), seguindo as recomendações do Livro Verde para a Sociedade da Informação, editado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. A RCTS é o organismo que no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia que tem por objectivo facilitar o acesso das instituições educativas e culturais à Internet, facilitando assim a pesquisa e difusão de conteúdos "on-line" por parte destas instituições.

Na medida em que tenham acesso à Internet, os museus vão poder utilizar um serviço de correio electrónico, que lhes permitirá corresponderem-se ou trocarem informação com qualquer instituição ou pessoa que também tenha ligação à Internet em qualquer parte do mundo. Daqui resultará, inevitavelmente, uma enorme melhoria na rapidez da comunicação (que passa a ser imediata) bem como a possível troca de documentos e informações que antes estavam sujeitas aos prazos, limitações e custos do correio normal.

Salienta-se, ainda, a elevada importância para os museus, cuja maioria das pessoas tem um reduzido conhecimento informático, o facto de passarem a ter pessoas especializadas que os ajudarão a resolver os problemas que eventualmente tenham quer no acesso e utilização da Internet e do correio electrónico.

 

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Indústria Têxtil do vale do Ave na era digital

Geira-Novas, 19/01/99 - O Museu da indústria Têxtil de Famalicão, passou a ter a sua página na Internet, com o endereço: http://www.geira.pt/mitextil. Este "site" espelha «a evolução por que passou a Indústria Têxtil no vale do Ave, e a importância que esta assumiu e assume enquanto principal motor da economia de toda esta região».

O "site" (página) do Museu foi desenvolvido no âmbito do Projecto Geira (http://www.geira.pt), que além de outras instituições, conta já com 22 museus da zona Norte na Internet, esperando até ao final deste ano ter mais de 40 museus naquele que já é o maior meio de comunicação da actualidade e que permite a troca de informação com qualquer ponto do globo.

O Museu, conta já com uma década de história, tendo-se fixado em instalações definitivas, em Fevereiro de 1998. Foi assim, há menos de um ano, que este se instalou num espaço próprio, resultante da recuperação do antigo armazém têxtil, onde funcionou "A Lanifícia de Outeiro", situado na freguesia de Calendário - Famalicão. Este espaço é, assim, simultaneamente uma parte do património histórico que o museu contém.

A história deste século do vale do Ave é indissociável do desenvolvimento da indústria têxtil, que se iniciou na segunda metade do século passado. A primeira fábrica da região data de 1845 e dava pelo nome de "Fábrica de Fiação de Tecidos - Rio Vizela".

Em Famalicão a história começa em 1896, data em que a primeira fábrica algodoeira moderna - a Sampaio, Ferreira e Companhia - é fundada em Riba de Ave.

É esta história secular que o Museu pretende devolver à comunidade local, bem como, agora com a ajuda da Internet, potenciar a região ao nível nacional e internacional.

Máquinas antigas a funcionar

O Museu possui na sua colecção cerca de meia centena de máquinas têxteis, representativas das várias fases da produção e dos períodos da sua evolução.

As máquinas expostas foram doadas por várias empresas têxteis da região e têm sido alvo de um aturado trabalho de restauro e conservação de Adelino Rompante, antigo funcionário têxtil. Este senhor, reformado, está a colaborar com o Museu da Indústria Têxtil desde 1995, que desta forma rentabiliza a experiência acumulada ao longo da sua vida, precisamente como afinador de máquinas têxteis.

De salientar que as máquinas estão quase todas em condições de funcionamento, tendo os visitantes oportunidade de vê-las a operar, com as matérias primas, como o fizeram ao longo de dezenas de anos nas fábricas de origem.

Museu evita destruição contínua do património

Desde a década de 30, que várias figuras da região alertaram para a necessidade da criação de um museu que evitasse a constante destruição deste património regional, situação a que assistiam com frequência.

Foi preciso chegarem os anos 80, para que fossem tomadas medidas concretas nesse sentido. À altura Lino Lima interveio na Assembleia Municipal em defesa da fundação do já tão falado Museu Têxtil.

Em1987, a Câmara aprova uma proposta apresentada pela Universidade do Minho, no sentido de criar em Famalicão um núcleo do que seria o Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave, que viria a ser ratificada pela Assembleia em Março seguinte.

Finalmente, só em Junho de 1989, se constitui um Gabinete no sentido de proceder-se à implantação do museu, o qual no mesmo ano iniciou a recolha do seu actual espólio.

Em 1992 o Museu é instalado, embora provisoriamente, no antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Famalicão.

Passados que foram seis anos ocupou as actuais instalações, em função do reduzido empenhamento das autarquias vizinhas, assume-se como uma estrutura municipal, passando a chamar-se Museu da Indústria Têxtil de Famalicão.

Investigação, arquivos e visitas

Entre as actividades desenvolvidas pelos museus destacam-se as visitas de estudo, com vários estabelecimentos de ensino a visitarem o Museu, num total de 600 alunos ao longo do ano passado. O Museu organiza, também, visitas de grupos a fábricas têxteis, possibilitando o contacto e comparação entre o passado e presente desta actividade.

Importante é um Arquivo que começou a ser organizado em 1989, data da fundação do museu, em que se podem ver artigos de revistas e jornais relacionados com a actividade têxtil.

Disponíveis está também, um dossier-arquivo da "Sociedade de Fiação e Tecidos de Serves", freguesia de Pedome, o qual foi alvo de um trabalho de investigação, no âmbito de um Mestrado da Universidade do Porto e bibliografia sobre a indústria têxtil e as máquinas em concreto.

O Museu tem desenvolvido projectos investigação, cujos resultados são exposições, publicações, criação de dossiers e bases de dados informatizados, que estarão brevemente disponíveis para consulta pública e naturalmente também na Internet.

 

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Museu Municipal de Vila Flor na Internet

Geira-Novas, 13/01/99 - O Museu de Vila Flor está a partir de agora disponível pela Internet, em http://www.utad.geira.pt/museus/vilaflor. Este site pretende "ser uma porta aberta à divulgação desta vila transmontana, realçando a história e a riqueza cultural das suas gentes".

A versão virtual do Museu foi desenvolvida pelo projecto Geira (http://www.geira.pt) - uma parceria entre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Universidade do Minho (UM), que tem por objectivo fomentar a circulação de informação sobre o património do Norte de Portugal e da Galiza, nomeadamente com recurso à Internet e a CD-ROM.

Situado no centro da vila, perto da Igreja Matriz, o Museu está instalado num edifício do séc. XIII, antigo Solar dos Aguilares, primeiros donatários de Vila Flor, por isso o edifício ostenta as Armas Reais, na fachada principal, e as Armas dos Aguilares e a Flor de Lis, na fachada poente. Ao longo dos tempos estiveram ali instalados vários serviços, como a Câmara Municipal, Repartição de Finanças, Cadeia e outros.

O Museu foi fundado em 1957, tendo ficado instalado neste edifício histórico, que vinha sendo restaurado desde 1954, para que nele pudessem funcionar adequadamente o Museu e a Biblioteca Municipal.

Raúl Correia: o fundador

A Câmara de Vila Flor nomeou Raúl de Sá Correia director e fundador do Museu. Vilaflorense que há muitos anos emprestava toda a sua dedicação à promoção cultural da sua terra, bem como ao arquivo de todos os documentos que falassem de acontecimentos e gentes da terra, incluindo personalidades nacionais e vultos da República.

O espólio do Museu deve-se em muito ao espírito coleccionador, sensibilidade e carinho de Raúl de Sá Correia, que dirigiu o Museu até à sua morte em Dezembro de 1993, cargo que exerceu sem nunca ser remunerado.

O gosto de Raúl Sá Correia pela cultura vem desde os anos 30, altura em que passou a dirigir a Secretaria da Câmara Municipal.

Em 1947 fundou a Biblioteca Municipal de Leitura Domiciliária, com quase dois mil livros então oferecidos pelo vilaflorense Alexandre de Matos, tendo ficado instalada no Salão Nobre da Câmara Municipal.

Desde 1970, quando cessou as funções administrativas na Câmara, dedicou-se por inteiro ao Museu de Vila Flor. O seu trabalho foi amplamente reconhecido, sendo-lhe concedido o título de Cidadão Honorário de Vila Flor e distinguido com o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 1987, pelo presidente da República, Mário Soares.

Actualmente, Alfredo Almendra, discípulo de Raúl Correia, continua, à imagem do seu mestre, a tratar com todo o empenho do Museu, que se tornou a "menina dos seus olhos":

Um arquivo, uma galeria e as salas: de Arte Sacra, de Vila Flor, de Pintura, das Louças, e do Ultramar são as partes mais importantes que constituem o Museu desta vila transmontana.

De destacar a sala de Vila Flor, com pastas, documentos e fotografias das gentes do concelho, a sala do Ultramar, com centenas de peças oriundas das ex-colónias portuguesas e a sala Dr. Alexandre Matos com uma preciosa colecção de máquinas de escrever, referida em 13 de Abril de 1984, no Diário de Notícias, como «uma das melhores colecções de máquinas de escrever da Península».

A Arqueologia assume alguma importância neste Museu, com especial referência para a arte rupestre, abrigos ou cavernas, antas, sepulturas abertas na rocha, castros, peças arqueológicas da época romana e atalaias.

A Etnografia marca também presença, com trajes, em linho e em seda, usados pelas gentes de Vila Flor em ocasiões festivas, alguns dos quais contam já mais de um século de existência.

A "cultura dos berrões"

  Assume especial relevo no "site" a "cultura dos berrões". É uma manifestação proto-histórica peninsular caracterizada por estátuas zoomórficas de pedra, chamadas em Portugal de berrões.

As estátuas representam animais diversos, tais como porcos domésticos, javalis, touros, cães e em alguns casos possivelmente ursos. São estátuas quase sempre de granito, representando os animais em tamanho natural. As representações mais vulgares são as dos porcos do sexo masculino, com as típicas saliências testiculares. Representam porcos por castrar, os porcos de padreação ou de cobrição que em Portugal se chamam berrões.

A zona da cultura dos berrões estende-se especialmente pelo centro da Península Ibérica, abrangendo sobretudo a província portuguesa de Trás-os-Montes e as províncias espanholas de Zamora, Salamanca, Ávila e Cáceres.

Santos Júnior, em "A Cultura dos Berrões no Nordeste de Portugal" é de opinião que «esta cultura é uma notável manifestação de ordem espiritual, com fortes raízes implantadas nos castros transmontanos e nas regiões limítrofes de Espanha».

Em Portugal pode dizer-se que os berrões estão confinados ao nordeste, com 49 representações, sendo 42 achadas no distrito de Bragança e três no de Vila Real.

Belo exemplar deste tipo de arte é o "Berrão do Cabeço", que na configuração geral lembra a "Porca de Murça", encontrado a 13 de Junho de 1967, na freguesia de Vilas Boas, na encosta do Santuário da Senhora da Assunção. O berrão encontrado em 5 pedaços, por Nuno Aragão, no local onde há vestígios de um Castro. Nuno Aragão reconstruiu este exemplar com 1,5 metros de comprimento e uma altura máxima de 1,31 metros e entregou-o ao museu.

Vila Flor torna-se, assim, com o apoio do Geira, mais uma das vilas transmontanas a explorar as novas tecnologias da comunicação ao serviço da divulgação/preservação do seu património cultural com longos séculos de história.

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Telefone tem Museu Vivo na Internet

Geira-Novas, 05/01/99 - O Museu Vivo da Comutação Manual, de Vila do Conde, está a partir de agora disponível pela Internet, em http://www.geira.pt/mvcm/. O Museu recria o período de implantação do telefone no país até ao advento da comutação automática.

O site do Museu foi desenvolvido pelo projecto Geira (http://www.geira.pt), com informação disponibilizada pela Portugal Telecom. O Geira é uma parceria entre a Universidade do Minho (UM) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que tem por objectivo fomentar a circulação de informação sobre o património do Norte de Portugal e da Galiza, nomeadamente com recurso à Internet e a CD-ROM.

O Museu Vivo da Comutação Manual localiza-se em Vilar, Vila do Conde, a vinte quilómetros do Porto. É um espaço que a Portugal Telecom abriu ao público em 1983, no âmbito do Ano Internacional das Telecomunicações.

"A menina dos telefones"

Em 1882, Portugal tornava-se um dos primeiros países europeus a possuir uma rede pública de comutação telefónica: primeiro em Lisboa, a 26 de Abril, e no Porto, a 1 de Julho do mesmo ano.

Os primeiros cinquenta anos das telecomunicações em Portugal (1880 a 1930) foram marcados pela central telefónica de comutação manual e pela sua operadora fundamental: a telefonista. A "menina dos telefones", como ficaria conhecida, era o elo entre a Companhia de Telefones e o assinante, contribuindo decisivamente para o acelerado crescimento das telecomunicações.

A par das grandes centrais telefónicas nas principais cidades, em 1934, o progresso chega a Vilar do Pinheiro, sendo criadas as centrais de Labruge, Soutelo e Malta, respectivamente com 3, 4 e 7 assinantes.

Passados três anos é inaugurada a central magnética de Vilar do Pinheiro com capacidade para 30 assinantes.

Devido ao grande aumento da rede telefónica, em 1974 os assinantes são ligados à nova Central Manual de Bateria Central de Vilar (actual Museu), cuja capacidade total passou a ser de 1300 linhas de rede. Porém, em 1983, com a inauguração da central automática em edifício contíguo, a central manual de Vilar foi desactivada. Por ser o último exemplar com esta tecnologia, na região do Porto, impôs-se a preservação do seu espólio, ficando a constituir até aos dias de hoje o que se designa por «Museu Vivo da Comutação Manual».

Preciosidades seculares

O núcleo fundamental do Museu é constituído por uma central telefónica magnética de 1882, tendo funcionado durante mais de um século na zona de Medas (Gondomar). Outro modelo representado pertence a uma central BC (bateria central) que serviu a região onde o museu está instalado, entre 1903 e 1983.

Peças de grande valor museológico são também os telefones expostos, dos quais se destacam, pela sua antiguidade e raridade, o telefone de parede Herrmann. Concebido pelo português Maximiliano Herrmann, o aparelho foi usado na montagem de uma centena de linhas em Lisboa antes de 1882.

O telefone de mesa Bramão, da autoria de Cristiano Bramão, 1.º oficial telegráfico que, em 1879, estabeleceu com êxito conversações entre as estações de Lisboa, Bom Sucesso, Barreiro e Setúbal. A característica mais inovadora é reunir numa única peça o auscultador e o microfone, solução que a indústria do sector só muito mais tarde iria adoptar.

Outros exemplares históricos podem igualmente ser apreciados, desde telefones simples a equipamentos particulares de comutação.

Experiência in loco

Este núcleo museológico é o único do género na Europa e tem uma dimensão pedagógica inovadora. Se num museu tradicional os objectos estão expostos em vitrinas ou armários, no Museu Vivo o público pode conhecê-los plenamente, quer tocando-os, quer vendo como funcionam.

A preservação destas memórias torna-se uma preocupação constante, pois as peças existentes são manuseadas anualmente por milhares de visitantes. No entanto esta é a melhor forma de transmitir os valores culturais às gerações vindouras.

Muitos alunos do ensino básico e secundário procuram o Museu para prepararem os seus trabalhos escolares. Uma hora de visita torna-se numa experiência pedagógica inesquecível.

Para recriar o ambiente peculiar duma central manual, duas operadoras de telecomunicações exemplificam, em "circuito fechado", como eram feitas as ligações telefónicas entre a central e diversos modelos de telefones de mesa e de parede espalhados pelas salas e destes para as cabinas públicas colocadas no parque exterior.

O visitante é convidado a ocupar a posição da telefonista e a imitar os seus gestos e procedimentos. Por entre um emaranhado de fios e cavilhas, de luzes a piscar e de campainhas a tocar, apercebe-se da frenética vivência quotidiana numa central manual.

A média anual de visitantes é de cerca de cinco mil, com especial incidência entre os estudantes de escolas do ensino básico, na sua maioria provenientes do Grande Porto e da Região Norte.

 

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Notícia publicada no jornal "Diário do Minho", aquando da abertura da exposição "Rota do Cabo - ligação de mundos", patente no Museu Nogueira da Silva.

«Bracarenses "descobrem" papel da região

na história dos descobrimentos portugueses

· Responsáveis pela exposição "Rota do Cabo" denunciam «subaproveitamento» das peças existentes

Os bracarenses podem "descobrir" o papel da região nos descobrimentos portugueses através de uma exposição de peças ligadas à expansão nacional patentes ao público no Museu Nogueira da Silva.

César Valença, director do espaço museológico e responsável pela coordenação da mostra "Rota do Cabo", considera que esta exposição constituiu um "marco" na divulgação do papel da região nos descobrimentos.

«Grande parte do trabalho de investigação está feito», assegura, dizendo que o desafio que actualmente se coloca é levar as conclusões dos estudos à população, de forma que o público em geral tome consciência do seu passado.

Opinião semelhante manifesta Maria Augusta Lima Cruz, comissária científica da exposição, sublinhando que ao longo do período de comemoração dos descobrimentos portugueses tem sido feito «um esforço muito grande» para o estudo da nossa história.

Apesar do trabalho de investigação levado a cabo, admite que «a região tem muitas peças subaproveitas», depositadas em instituições públicas, mas também em colecções particulares.

Um dos obstáculos apontados pela técnica para o falta de valorização do espólio cultural existentes é o facto de muitas vezes as pessoas «não terem consciência» do património que possuem.

Para sublinhar a ideia da riqueza dos documentos sobre a expansão marítima existentes na região, a comissária científica faz referência a um livro escrito sobre Palmeira numa língua indiana, pertencente ao Arquivo Distrital. A Peça, também patente ao público, vai brevemente sertraduzida.

Os responsáveis pela exposição sublinham também a importância de uma placa memorial em baixo relevo de xisto cinzento argilosa da Índia, pertencente ao Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa, trazida para Portugal por Martim Afonso de Sousa, senhor de Prado.

Aposta no público juvenil

Maria Augusta Lima Cruz sustenta que a exposição, que inclui uma mostra de materiais pedagógicos, vai «contribuir para o conhecimento» especialmente do público escolar.

«Os mais novos ao verem, as imagens vão fazer perguntas e ficar ansiosas para saberem mais sobre a nossa história», afirma.

A comissária científica acrescenta que «gostaria que esta exposição fosse olhada e lida com o sentido pedagógico».

Por seu turno, César Valença refere que o Museu Nogueira da Silva «tem colocado como seu objectivo principal a sensibilização dos visitantes, com incidência na nova geração, para as diversas faces que tomam as obras de arte».

0 pressuposto é de que as peças «independentemente da época ou tipo de civilização que as originou, representam em essência a unidade humana».

0 objectivo da mostra, integrada nas comemorações do vigésimo quinto aniversário da Universidade do Minho é, de acordo com César Valença «estimular reflexões, interrogações e discussão de conceitos», a partir da viagem de Vasco da Gama e o início da Rota do Cabo.

Para o director do Nogueira da Silva, aquele acontecimento «marcou o mundo», devendo ser visto como «o primeiro passo para a globalização» e o «início do diálogo culturas».

«As peças permitem-nos concluir que os portugueses já tinham interesse pelas cultura dos outros povos; curiosidade pelo outro», frisa.

Maria Augusta Lima Cruz defende que a exposição se «propõe desencobrir algumas das múltiplas implicações culturais decorrentes não só do processo que levou à abertura da Rota do Cabo, mas também da encruzilhada rede de circuitos que a prolongaram até aos confins do outro lado do mundo».

Trocas culturais com o Oriente

As peças] testemunham as permutas, incorporações e contaminações recíprocas entre mundos culturais diferentes», diz Maria Augusta Lima Cruz.

No entanto, alerta: «não podemos ignorar que subjacente a esta circulação não esteve só, o gosto pelo exótico, a desinteressada curiosidade pelo novo, pelo diferente; esteve também o objectivo de conhecer para dominar».

João Calvão, director dos serviços culturais da Fundação Oriente, admite que o encontro de culturas se tomou num "cliché", mas que corresponde à realidade.

«Os valores que resultam da colaboração entre os dois povos podem observar-se no património construído, na fala e no imaginário», diz, sustentando que as trocas culturais geraram «entendimento, testemunhado em vivências comuns».

0 responsável pela Fundação Oriente acrescenta que existem ermidas no meio dos campos de arroz de Goa, que apesar de não pertencerem à cultura indiana, são olhados com respeito».

No sentido de preservar esta herança de «aceitação pelo outro», João Calvão diz que a Fundação Oriente tem pautado a sua actuação no sentido de fomentar o «intercâmbio entre Portugal e o Oriente, desde a Costa de Malabar, até ao Japão e Índia», através de «diversos meios».

Os métodos de actuação têm-se centrado no restauro de edifícios, no ensino e divulgação da língua portuguesa, em projectos de investigação e intercâmbios de grupos de cariz cultural.

João Calvão refere que nos percursos dos grupos a Fundação tem tentado fazer uma «descentralização», pedindo às câmaras municipais apoios para a realização dos espectáculos».

Luísa Ribeiro»

 

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Cultura mirandesa na era digital

Geira-Novas, 22/12/98 - O Museu Terra de Miranda passou a estar disponível na Internet, num site desenvolvido pelo projecto Geira (http://www.geira.pt) - uma parceria entre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Universidade do Minho (UM), que tem por objectivo fomentar a circulação de informação sobre o património do Norte de Portugal e da Galiza, nomeadamente com recurso à Internet e a CD-ROM.

O Museu mirandês transporta a mensagem da antiga e actual rusticidade dos povos e da gente simples do campo da região de Miranda e um pouco de todo o Nordeste Transmontano.

Vocacionado para recolher, preservar e expor os elementos de carácter cultural, etnográfico e artístico desta região, o Museu é composto principalmente pelas salas do Tear Grande, de Arqueologia, da Criança, do Traje, de Armas e Numismática, de Alfaias Agrícolas, de Etnografia Solsticial e de Cerâmica. Além destas temáticas estão representados o quarto e a cozinha tipicamente mirandesa.

O Museu está situado no centro histórico da cidade de Miranda do Douro, na antiga Domus Municipalis, um edifício do séc. XVII. No ano de 1790, houve necessidade de modificar algumas partes no seu interior, para ser, na altura, adaptado a cadeia. O edifício sofreu um restauro total nos anos setenta do nosso século, sendo mais tarde doado para ser fundado o Museu, em 1982.

Na sua versão virtual, o Museu tem o seu "site" em: http://www.utad.geira.pt/museus/terrademiranda, onde encontramos abundante informação sobre a cultura do povo de Miranda. De realçar o que os mirandeses têm de mais específico, como a etnografia solsticial, cujos festejos se realizam nesta época do ano, o traje e a cozinha mirandesa.

Etnografia Solsticial

A Terra de Miranda é rica em festas solsticiais no período de Inverno, desde o dia 23 de Dezembro até ao meio do mês de Janeiro. O museu não descurou estas tradições vivas e podemos ver algumas figuras de Carochos, Farandulos, Chocalheiros e Cécias, que saem à rua nos vários festejos desta época natalícia.

Uma das tradições mais apreciada é o "Carocho e a Velha", que a 27 de Dezembro de cada ano, dia de S. João Evangelista na Liturgia Romana, percorre a aldeia de Constantim, povoação do concelho de Miranda do Douro.

De manhãzinha cedo, pelos caminhos enregelados, depois de "desenjuar", o Carocho e a Velha, acompanhados por um grupo de tocadores de flauta pastoril ou gaita de foles, caixa e bombo e por um grupo de pauliteiros de Miranda, percorrem a povoação recolhendo a esmola para a festa de S. João.

Os pauliteiros cantam à porta de cada vizinho e o Carocho e a Velha, dançam ao ritmo dos instrumentos musicais, dão saltos, fazem trejeitos e dizem graçolas.

O Carocho apresenta-se com um fato de pano grosseiro, largo e mal atropelado. Apresenta a cabeça coberta com uma máscara de couro, que lhe cobre a fronte até ao pescoço, donde pende um rosário de carretas de linhas, já vazias. Nas mãos suporta um grande garfo de madeira com que recolhe as peças de fumeiro; chouriços, salpicões, costelas, orelhas e pés de porco.

A Velha ou "Tiê Biêlha" veste saia, blusa de chita estampada, lenço chinês na cabeça, xaile à tiracolo, um rosário de castanhas assadas ao pescoço e um saco (surrão) no ombro esquerdo. Na mão direita traz uma estaca com que recolhe a esmola de chouriças e outras peças que lhe vão dando pelas casas.

Com o resultado da esmola pagam a festa. As peças de fumeiro, pés, orelhas e costelas de porco, são para fazer a ceia comunitária, que se realiza antes do Ano Novo, a 29 ou 30 de Dezembro. Na ceia participam todas as pessoas da povoação e outras convidadas pelos mordomos da festa.

Os Trajes de Linho

Tão típicas como as festas populares são as vestes tradicionais mirandesas.

O homem mirandês veste camisa de linho caseiro e burel pardo, feito em teares manuais, calção com picados à altura dos joelhos, polainas com vivos de baeta verde, jaqueta ou rabona com picados na cauda, nos punhos e vivos de baeta na gola. O gorro medieval bicorne com vivos de baeta verde marca presença constante. Calça sapatões grossos, ferrados com pregos. No trajo domingueiro substitui o burel por saragoça brilhante e o gorro por chapeirão de feltro, aba onze.

  A mulher apresenta-se com camisa de linho, lenço garrido, de seda ou lã, franjado, casaca ou "jaqué", com barras de veludo, de saragoça ou de pano preto fulgente. A camisa de linho tem folhos e quase caneluras no pescoço e nos punhos, sobressaindo o colete de seda policroma e faixa vermelha à cinta. Compõem ainda a indumentária feminina o saiote de baeta vermelha, azul, verde ou amarela, com barras de veludo preto ou de saragoça picada, e, sobre este, a saia de saragoça ou de burel, com uma barra de veludo e 22 palmos de roda, a roçar o calcanhar. Sobre tudo isto, o manto de ir à missa, «mantilha» ou «rebocilho».

A mirandesa calça meias brancas de linho e sapatos de bezerro branco liso, com ou sem ponteira, com correias de bezerro e borla picada com ilhós e uma lingueta, atravessada em forma de asas de borboleta sobre o peito do pé.

Cozinha Mirandesa

Neste mundo, tão rico quanto isolado da vida moderna, a cozinha de Miranda é o que evoca mais recordações a quem já teve o privilégio de a apreciar.

Esta é a parte mais rica e mais bem apetrechada do museu. Os nossos olhos deparam-se com a rusticidade da vida da Terra de Miranda.

A cozinha era o ponto mais importante da casa mirandesa. Aí se descansava, se educava, se nascia, se tomavam refeições. Nos serões de Outono e Inverno cantava-se, jogava-se e brincava-se. Aqui se curavam as doenças... e se passava à eternidade, depois de receber os sacramentos.

O Museu comporta o armário com todos os apetrechos de louça e a cantareira, o tenedor que servia de pequeno parque do bebé, louça e cestaria de vários tipos, os escrinhos da farinha de origem egípcia, o cortiço da barrela, as talhas do unto de porco, das castanhas e do azeite.

A alimentação da gente mirandesa é relativamente frugal e simples; reduzindo-se, na substância e máxima força, ao pão em abundância, trigo ou centeio de «toda a peneira» moído nos seus moinhos e cozido nos seus fornos (cada casa tem um forno), legumes colhidos nas suas hortas, batatas e hortaliças e carne de porco (provisão para todo o ano). Muito apreciado e afamado é o presunto e o fumeiro mirandês.

Em determinadas alturas há também a carne de carneiro, cabrito, vaca ou vitela, da "mais saborosa que se cria em Portugal". A "posta mirandesa" é hoje em dia um símbolo de qualidade muito apreciado. A procura é, de momento, ainda maior devido à tão falada "doença das vacas loucas".

Como doçaria regional, destacam-se as rosquilhas mirandesas.

Na bebida o mirandês é sóbrio, não que não goste de vinho, mas porque, dizem eles: "se pudesse-mos passar tão bem sem pão, como sem vinho, não trabalhávamos tanto".

A economia

Uma vida de muito e duro trabalho é o que caracteriza o quotidiano da gente mirandesa, que poupa o máximo, no vestir e na alimentação, para ir acrescentando e conservando o património caseiro, seguindo sempre o provérbio «remenda panho, passarás anho».

Aqui ainda está bem presente a entreajuda nos trabalhos do campo. Os vizinhos auxiliam-se mutuamente nas ceifas, nas vindimas, nas colheitas, na apanha da azeitona, na cava das vinhas, na sega dos fenos, na tosquia.

A tosquia, a matança, a vindima e a limpa são as quatro festas do ano do lavrador mirandês, que aproveita para confraternizar com os seus parentes, amigos e vizinhos em camaradagem.

De resto, o mirandês vive para a sua casa e sua família, com quem nas noites grandes de Inverno se junta à volta da lareira, acesa com braseiro de carvalho, trabalhando, cantando e rezando, mantendo viva uma tradição já medieval.

Língua mirandesa

Neste canto do Nordeste português, fala-se uma língua com um corpo gramatical perfeito (fonética, fonologia, morfologia e sintaxe próprias) que, sem ser portuguesa, vem do tempo da formação de Portugal (século XII): é o mirandês ou língua mirandesa. A sua raiz latina (latim falado no Norte da Península Ibérica) manteve-se até hoje, por ter vivido, dado a acasos da história e entraves geográficos, à margem do grupo linguístico e do país a que pertence.

wpe1.jpg (8272 bytes) Citações de Domingos Raposo, sobre a língua mirandesa, em português

wpe2.jpg (8375 bytes)  Trad. em mirandês

 

Em finais do século XIX, descrevia-a José Leite de Vasconcelos como "a língua do campo, do trabalho, do lar, e do amor entre os mirandenses".

Hoje, é usada no dia a dia por 15.000 pessoas das aldeias do concelho de Miranda do Douro e de três aldeias do concelho de Vimioso, num espaço de 484 km2. A sua influência estende-se ainda por outras aldeias dos concelhos de Vimioso, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros e Bragança.

Com grande riqueza linguística, no mirandês encontramos diferenças quer fonéticas, quer vocabulares de terra para terra (Mirandês Central ou Normal, Mirandês Setentrional ou Raiano, Mirandês Meridional ou Sendinês). As pessoas são bilingues ou trilingues, pois falam o mirandês, o português e o castelhano. O português é principalmente cantado porque considerada, pelos mirandeses, como língua culta, fidalga, importante.

O desenvolvimento, a vida moderna, a TV e as pressões do português e do castelhano são perigos que ameaçam o Mirandês nos dias de hoje.

A Catedral da Diocese de Miranda

Motivo de orgulho dos mirandeses é a Sé de Miranda, que simboliza os tempos áureos, quando a cultura mirandesa era o centro deste recanto português.

Na Internet, o site tem, como valor acrescentado, extensa documentação sobre a Sé de Miranda do Douro, que entre 1600 e 1780 foi o centro da Diocese de Miranda. Hoje, é ainda motivo de acesas polémicas e contra a vontade da maior parte dos mirandeses que a Diocese passou a denominar-se Bragança e Miranda, tendo Bragança por sede.

O Papa Paulo III, por bula de 22 de Maio de 1545, fundou a Diocese de Miranda do Douro e por carta do mês de Julho, do mesmo ano, o Rei D. João III elevou Miranda à categoria de cidade com todas as honras e privilégios.

Logo desde o início da fundação da Diocese, a principal preocupação dos bispos de Miranda do Douro, foi sem dúvida a construção da Catedral. No ano de 1552, foi lançada a primeira pedra da obra, que demoraria quase 50 anos a construir.

Os Bispos que, a princípio, viviam numa dependência do Castelo, passaram a residir em casa própria, que, a partir do meados do século XVII, passou a Paço Episcopal.

O período de ouro da Diocese de Miranda e da sua Sé durou até 1780, momento em que Miranda perdeu a primazia. Foi, porém, alguns anos antes, em 1764, que Miranda sofreu um duro golpe, quando o bispo D. Frei Aleixo de Miranda "levantou ferros" e foi residir para a cidade de Bragança, onde então estava o maior poder político nacional, precisamente a Casa de Bragança.

Apesar de, até 1780, mais dois bispos terem ainda residido em Miranda, o sinal estava dado e este antecedente viria a ser fatal na perda da sede da Diocese a favor de Bragança.

Recentemente o bispo de Bragança, D. Rafael, elevou a antiga Sé de Miranda a Com-Catederal, passando a ter a mesma dignidade que a de Bragança, o que alegrou os mirandeses. No entanto, para estes falta ainda «o respeito pela história», isto é: «que o titular da Igreja seja Bispo de Miranda e Bragança [e não o contrário]» - defende António Rodrigues Mourinho, estudioso da cultura mirandesa.

Longe vai o apogeu de Miranda do Douro enquanto centro religioso e político do nordeste transmontano, mas a memória das suas gentes permanece de geração em geração alimentando a história de um povo, que tem como última grande conquista o reconhecimento oficial da Língua Mirandesa.

A preservação deste incalculável tesouro cultural passa a contar a partir de agora com o maior meio de comunicação global da actualidade: a Internet. Tal tornou-se possível pelo Geira, projecto que nasceu em 1997, envolvendo a UTAD e a UM.

E o que significa Geira? Geira é o nome de uma das antigas vias utilizadas pelos romanos, nas ligações entre Braga e a Galiza. Hoje, o projecto Geira faz renascer essa via de aproximação das populações, desenvolvendo a circulação de informação sobre o património científico, cultural e natural de Portugal, através da Internet e de CD-ROM.

O Geira integra mais de uma centena de pessoas em equipas pluridisciplinares de investigadores das duas universidades, em colaboração com dezenas de instituições científicas, culturais e ambientais. O projecto desenvolve e integra sistemas de informação interactivos, apoiando a informatização e ligação à Internet de várias instituições do norte de Portugal, como museus, bibliotecas, arquivos e parques naturais.

 

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Olaria portuguesa com museu virtual

Geira-Novas, 17/12/98 - O Museu de Olaria de Barcelos tem a partir desta semana uma versão virtual, e encontra-se disponível na Internet em http://www.geira.pt/museus/MOlaria/

O site do museu foi desenvolvido pelo projecto Geira (http://www.geira.pt) - uma parceria entre a Universidade do Minho (UM) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que tem por objectivo fomentar a circulação de informação sobre o património do Norte de Portugal e da Galiza, nomeadamente com recurso à Internet e a CD-ROM.

O Museu de Olaria, inserido numa região de fortes tradições cerâmicas, foi criado em 1963, após a doação à Câmara Municipal de uma valiosa colecção, recolhida por Joaquim Villas Boas.

Natural de Barcelos, Joaquim Villas Boas recolheu durante a sua vida, principalmente de 1935 a 1952, um vasto conjunto de Olaria popular barcelense e não só, que se tornou na razão da fundação deste museu.

Primeiramente chamado Museu Regional de Cerâmica, mais tarde, passou a denominar-se: Museu de Cerâmica Popular Portuguesa.

O alargamento cada vez maior da olaria nacional nas suas colecções fez com que este adoptasse, em 1982, a designação de Museu de Olaria.

Único espólio de Olaria do país

Actualmente o Museu conta com um espólio com mais de 6800 peças, provenientes de diversas regiões do país, dos países lusófonos e algumas de outros países estrangeiros. Este espólio é resultante de doações, trabalhos de campo em centros oleiros extintos, em vias de extinção, ou ainda em laboração, aquisições a particulares e a antiquários.

O Museu possui cerâmica representativa de todos os Centros Oleiros em actividade no país, e de alguns já extintos.

Louça preta, louça vermelha fosca e louça vidrada são as "grandes famílias" mais largamente representadas

Para além destas colecções, temos o figurado (figuras modelada à mão, pintadas e ou vidradas com finalidade decorativa), onde se destaca uma extensa obra da conhecida artista barcelense, Rosa Ramalho e de outros barristas em actividade.

O Museu de Olaria comporta ainda uma colecção de faiança e de azulejos, peças que foram aumentando o acervo do Museu, à medida que a política museológica deste o justificou.

Edifício do séc. XVIII

O aumento progressivo das colecções obrigava o Museu a dispor de instalações mais adequadas e de quadros técnicos com prática museológica.

Assim, em 1982, a Câmara adquiriu, no Centro Histórico, um edifício do século XVIII, com o fim de aí instalar o Museu de Olaria. O projecto de recuperação do edifício começou em 1991, sofrendo este obras de transformação e ampliação do espaço original, que ultrapassaram os 170 mil contos.

O edifício ficou pronto a receber as colecções em Outubro de 1994. Em Julho de 1995, depois de equipado, o Museu de Olaria abriu ao público

Hoje, o Museu ocupa uma área de 2000 m2, em três pisos. Apesar da reestruturação dos espaços interiores, o edifício manteve a traça original, dado ser uma peça de grande valor arquitectónico da cidade de Barcelos.

Ateliers: Aprender fazendo

O Museu de Olaria criou um Serviço Educativo que permite tornar este museu num espaço vivo, ao serviço da comunidade e das instituições educativas. Nesse sentido criou um "Atelier de Barro e Pintura", que proporciona o ensino de técnicas ou habilidades do acto de criar/recriar na arte Olárica. O atelier do barro é um projecto aberto, que para além da experiência no manuseamento do barro, proporciona: visitas guiadas aos locais onde é extraída a argila e workshops com a presença de oleiros.

O Museu disponibiliza visitas guiadas onde além da verem as exposições as crianças podem participar num "museu-paper" - constituindo uma forma de aprenderem divertindo-se e simultaneamente explorarem o museu.

Investigação em Centros Oláricos

A vertente da investigação tem sido uma grande aposta do Museu. Foram realizados vários trabalhos de campo em Centros Oláricos, que resultaram em publicações do Museu.

Quanto à investigação, o Museu, em conjunto investigadores e instituições, pretende identificar e caracterizar os centros produtores de cerâmica do Norte

De realçar a colaboração com a Universidade do Minho em projectos, como "A produção cerâmica do Norte (Séculos XII-XX). Estudo Histórico, Tipológico e Laboratorial", apoiado pela Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT).

A curto prazo o Museu pretende constituir a primeira base de dados sobre os Centros Produtores de Cerâmica em Portugal, com um vasto leque de informações que vão desde as características etnológicas e arqueológicas, até à caracterização química e mineralógica das fábricas e barreiros de cada centro. Este estudo vai ser feito com o apoio do laboratório da TecMinho (Associação Universidade-Empresa para o Desenvolvimento), em Guimarães.

O Museu da Olaria edita uma revista intitulada "Olaria, Estudos Arqueológicos, Históricos e Etnográficos". Nesta publicação, antropólogos, historiadores e ceramólogos têm ao seu dispor um meio onde tudo o que diga respeito a estudos cerâmicos pode ser divulgado, dando conta dos trabalhos que estão a desenvolver.

O Museu de Olaria perpetua a memória de um povo e pretende, assim, que o seu acervo seja progressivamente investigado, e que o público, principalmente pelas exposições temporárias, possa contactar com a realidade olárica.

A preservação deste valioso tesouro cultural passa a contar a partir de agora com o maior meio de comunicação global da actualidade: a Internet. Tal tornou-se possível pelo Geira, projecto que desenvolveu a página do Museu.

 

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Museu de Vila Real na Internet

Geira-Novas, 23/11/98 - O Projecto Geira acaba de disponibilizar aos milhões de utilizadores da Internet, um "site" dedicado ao Museu de Vila Real.

O Geira (http://www.geira.pt) nasceu em 1997 de uma parceria entre UTAD e a Universidade do Minho (UM) e tem por objectivo fomentar a circulação de informação sobre o património científico, cultural e natural do Norte de Portugal e da Galiza, nomeadamente com recurso à Internet e a CD-ROM.

A grande particularidade da situação é que o Museu de Vila Real, que passa a poder ser visitado pela Internet em todo o mundo, na realidade ainda se encontra fechado ao público, embora em avançado processo de instalação.

O Museu só ainda não tem as suas colecções abertas ao público devido a sucessivos atrasos no fornecimento dos expositores. No entanto, esta situação não esmorece o entusiasmo do seu director, P. João Parente, que pensa abrir o piso superior com a colecção de numismática, "durante o próximo mês de Março".

Extraordinário espólio numismático

O Museu comporta um dos mais importantes espólios de Numismática do mundo, com aproximadamente 40 mil moedas, principalmente romanas, luso-romanas e espano-romanas, mas também gregas, visigóticas, bizantinas e ibéricas. Esta extraordinária colecção, que é a sua razão de ser, é obra do P. João Parente, que recolheu este espólio e o doou à Câmara Municipal.

Salvaguardando que cada museu tem algo de característico, O P. João Parente não deixa de realçar "a particularidade única das peças de numismática estarem todas localizadas – onde, como e quando foram encontradas".

A entrada do museu na Internet é um grande valor acrescentado para o museu, que desta forma "vai enriquecer o património numismático mundial, apresentando moedas inéditas e tornando-as facilmente acessíveis aos especialistas, em qualquer parte do mundo" – sublinha o director.

Do Museu faz também parte uma pequena colecção de objectos arqueológicos, entre os quais destacamos algumas das "misteriosas" pedras do Alvão. Descobertas há mais de um século, essas pequenas pedras gravadas com símbolos alfabéticos têm sido motivo de uma das mais acesas polémicas da Arqueologia Portuguesa. De proveniência neolítica para alguns, pertencente à Idade do Ferro para outros, ou simplesmente "falsas" para muitos, elas são motivo de curiosidade que ainda hoje ultrapassa as nossas fronteiras.

Fazem ainda parte do espólio arqueológico do Museu cinco aras romanas e diversos machados de bronze.

O museu desenvolve ainda exposições temporárias, como o ciclo "História ao Café", e actividades culturais, tais como refeições gastronómicas e turismo cultural. O ciclo "História ao Café" procura valorizar pequenos objectos carregados de história, (quase todos na posse de particulares, dada a inexistência de museus ou colecções públicas que os tenham recolhido), além de evocar e recriar as antigas tertúlias. As refeições gastronómicas, organizadas pelo museu, dão a saborear aos visitantes as especialidades locais e apresentam os restaurantes e tascos vila-realenses, anfitriões exímios do tradicional gosto pela boa mesa.

A partir de agora, qualquer pessoa pode visitar parte das colecções deste museu através da Internet e manter-se actualizada sobre as actividades que desenvolve.

O "site" dedicado ao Museu de Vila Real foi desenvolvido pelo grupo do Geira na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em estreita colaboração com os responsáveis do Museu, e pode ser visto em: http://www.utad.geira.pt/museus/vilareal

Um "boloiro" secular...

A entrada deste museu na Internet acontece 110 anos após a primeira tentativa de fundação, valendo a pena recordar algumas das vicissitudes por que passaram as diversas tentativas de instalação de um museu em Vila Real.

O director compara a formação deste museu à dos "boloiros" (grandes bolas de neve) que os rapazes se entretêm a fazer quando neva em Trás-os-Montes. "A bola vai apanhando a neve que se encontra no caminho ... e pouco a pouco transforma-se em "boloiro" ... e ali fica para admiração de quem passa". Da mesma forma se realizou o acervo do museu de Vila Real: "A pequena bola começou com nove moedas romanas compradas a três crianças e com um machado neolítico oferecido por um colega".

Já desde o último quartel do século passado que a tentativa de criação de um museu animou a vida cultural de Vila Real. Data de 1888 a primeira iniciativa conhecida neste sentido, lançada pelo então movimento museológico vila-realense e associada à importância arqueológica do Santuário Rupestre de Panóias. Embora na altura tenha sido proposto que se reservasse uma sala do edifício da Junta Geral, para nela instalar "um museu arqueológico distrital", a verdade é que esta iniciativa não teve outra sequência senão dois artigos de Leite de Vasconcelos, na imprensa local, em que se defende a criação do museu e onde se apresenta um programa de instalação do mesmo.

Outras tentativas de fundar um museu se viriam ainda a frustar nos anos seguintes. Nomeadamente uma, lançada pela Junta Geral do Distrito na sequência do Congresso Transmontano de 1920 e dinamizada por Adelino Samardã, que chegou a ver criado na folha oficial "um museu regional de arte, arqueologia e numismática" (Decreto 9:527, de 22 de Março de 1924).

As boas intenções do decreto não passariam do papel durante ainda uns16 anos, até que em 1940, o Museu Etnográfico abria finalmente as suas portas ao público. Recentemente, a 30 de Outubro de 1997 e após um tão aguardado como necessário restauro, esse mesmo imóvel passou a albergar o agora denominado, e em fase de instalação - Museu de Vila Real.

 


 
Geira-Arquivos: novas edições electrónicas
 
Geira-Novas, 26/10/98 - O projecto Geira-Arquivos disponibilizou recentemente duas novas edições electrónicas, a saber: "Memórias de José Inácio Peixoto" e os seis volumes de "Index das Gavetas do Cabido". Estas edições digitais juntam-se assim ao já disponível "Mapa das Ruas de Braga em 1750".

As "Memórias de José Inácio Peixoto" é uma obra que tem por subtítulo: "Braga e Portugal na Europa do séc. XVIII", constituindo um riquíssimo documento histórico da época.

Os vários Arcebispos, os homens célebres, os ministros, as obras públicas realizadas na cidade, o governo, as festas, as famílias nobres, notícias breves sobre o Portugal, a Europa e o Mundo foram alguns dos temas que detiveram a pena do autor e que assim testemunhou e caracterizou a época em que viveu.

Os seis volumes de "Index das Gavetas do Cabido da Sé de Braga" (Cabido: corporação dos cónegos de uma catredal [neste caso de Braga]), é um conjunto de volumes que fazem a descrição do conteúdo documental e/ou de peças existentes nas gavetas do Cabido da Sé Primacial de Braga, que foram transferidas desta para o Arquivo Distrital. A Gaveta de Matéria e Prazos; a Gaveta das Religiões, Mosteiros, Ordens, Collegiadas, Seminário; a Gaveta de Prazos Particulares; a Gaveta das Propriedades Particulares; a Gaveta de Notícias Várias e o Index dos Livros das Cartas, etc., são alguns dos temas dos vários volumes das gavetas onde se guardam o precioso e riquíssimo manancial de estudos históricos e paleográficos.

Em visita ao Arquivo, o Novas soube que estão no "prelo" novas edições electrónicas, e brevemente serão disponibilizados microfilmes.

O Geira-Arquivos está também a desenvolver parcerias com os Arquivos Municipais, para no futuro poder disponibilizar os fundos documentais destes. Em perspectiva está o alargamento do Geira-Arquivos em Vila Real, no sentido de uma maior cobertura, nesta área, da região de Trás-os-Montes.
 

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Sites do Geira distinguidos pelo Directório do Ambiente

Geira-Novas, 20/10/98 - Os sites do Geira dedicados ao Parque Natural do Alvão (http://www.utad.geira.pt/pnal/) e ao Parque Nacional da Penada-Gerês (http://www.geira.pt/pnpg/index.html) foram distinguidos pelo Directório do Ambiente pela sua quantidade de informação, utilidade, credibilidade do conteúdo informativo, facilidade de navegação e design agradável (http://www.netmais.pt/ambiente/maisambiente/distincoes.htm).

O Directório do ambiente (http://www.netmais.pt/ambiente) é um projecto desenvolvido pela equipa da "Netmais - Consultores em Internet e Telecomunicações, Lda,". Dirige-se essencialmente a profissionais da área ambiental, empresas, estudantes, amantes do ambiente, todos aqueles que procurem informações ou contactos sobre temas ambientais.

Com este tipo de iniciativa, pretende-se fomentar o uso mais generalizado da Internet, e contribuir para que o utilizador compreenda o valor deste media como instrumento de trabalho obrigatório.
 

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Geira candidata-se ao programa Rafael

Geira-Novas, 10/07/98 - A TecMinho - Associação Universidade-Empresa para o Desenvolvimento - conjuntamente com os grupos de trabalho Geira-Museus e Geira-Arqueologia, apresentou no passado dia 10 de Setembro de 1998 duas candidaturas à UE, no âmbito do programa Rafael.

Estas duas candidaturas foram submetidas à Medida III.1 do referido programa, cuja acção visa apoiar projectos de cooperação transnacional entre instituições museológicas europeias que utilizem sistemas e produtos multimédia ou outras formas de comunicação para apresentar o património mobiliário na sua dimensão europeia e, em particular, oferecer ao público o acesso às obras artísticas.

Recorde-se que no relatório sobre a "Consideração dos Aspectos Culturais na Acção da Comunidade Europeia" conclui-se que a cultura constitui um sector privilegiado de aplicação das novas Tecnologias da Informação e Comunicação. Esta tomada de consciência esteve na origem da criação deste programa comunitário Rafael, que é por excelência o programa cultural da União Europeia (UE).

A temática do primeiro projecto, liderado em Portugal pelo Museu D. Diogo de Sousa, é a Alimentação durante a Época Romana e intitula-se "ROST - Roman Smells and Tastes". O grande objectivo do projecto é abordar as similitudes entre as especificidades regionais e aquelas que se salientam entre todos os países envolvidos no projecto ao nível da Alimentação.

Este projecto será tratado numa primeira fase a nível regional e posteriormente em conjunto entre todos os museus que integram esta parceria:

A investigação e pesquisa dos conteúdos resultantes do trabalho dos museus será trabalhada no Centro de Informática da Universidade do Minho – Geira - no sentido de se criar um produto multimédia - CD-ROM - onde se procurará recriar ambientes inerentes às fases do processo ligado à alimentação.

Para além deste CD-ROM interactivo e multilingue, prevê-se a criação de um web site para cada um dos museus que integram o projecto, com texto, imagens dos seus espólios e com links para os museus do projecto ROST.

Para além do público escolar o projecto ROST procurará que os materiais multimédia a produzir suscitem o interesse de um público mais vasto.

Arqueologia a três dimensões

O segundo projecto candidatado em Setembro intitula-se "VIRTARCHEO - Virtual Path to Archaeological Objects: a gateway to a new past" e foi apresentado pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho em parceria com as seguintes entidades:

O tema do projecto VIRTARCHEO é o tratamento tridimensional de peças arqueológicas e sua animação multimédia, de modo a permitir uma leitura mais dinâmica e próxima do universo da cultura material do mundo romano, em especial de colecções mais fragmentadas, como é o caso do espólio habitualmente recolhido na Arqueologia Urbana, em cidades como Bracara Augusta ou Asturica, ou seja, cidades vivas, onde os vestígios materiais do passado foram mais afectados pelo tempo.

O Centro de Informática da Universidade do Minho (Geira), à semelhança do que aconteceu no projecto descrito anteriormente, será o parceiro tecnológico deste projecto, co-responsável pela produção dos materiais multimédia a desenvolver, nomeadamente CD-ROMs e WEB SITE.

O papel da TecMinho nestes dois processos de candidatura é o de Coordenador do Projecto.

Recorde-se que há uns meses, a 5 de Junho de 1998, e ainda no âmbito do programa Rafael foram igualmente apresentadas duas candidaturas à UN, tendo o grupo Geira-Museus um papel fundamental nestes dois processos.

O primeiro desses dois projectos intitula-se "MPM - Museum Professionals in Mobility: best pratices using new technologies" e foi submetido à medida II.1.a) que visa o apoio a projectos em prol da mobilidade e aperfeiçoamento dos profissionais, com o objectivo de permitir a estes profissionais conhecer as melhores práticas no domínio da conservação, gestão e valorização do património e/ou novas tecnologias e serviços.

O projecto MPM tem os seguintes parceiros transnacionais:

Os parceiros em Portugal são:

Paralelamente ao projecto IPM, foi submetido um projecto complementar à medida II.2.b do programa Rafael que apoia a organização de seminários em diversas temáticas relacionadas com o património com o seguinte titulo: "Gestão do Património e Novas Tecnologias: usos e práticas".

Programa Leonardo Da Vinci na formação profissional

No âmbito do Programa Leonardo Da Vinci, que tem por objectivo apoiar e complementar as actividades empreendidas nos Estados Membros, para melhorar a qualidade das políticas e práticas de formação profissional em diversas áreas temáticas, a TecMinho conjuntamente com o grupo de trabalho Geira-Museus apresentou no dia 31 de Março de 1998 uma candidatura a este programa com o Projecto ITT-Museum - Information Technology Training for Museums.

O projecto tem os seguintes parceiros transnacionais:

Os parceiros nacionais são:

Para além da candidatura de um projecto ao Programa Leonardo Da Vinci com o grupo Geira-Museus, a TecMinho aceitou em Março de 1998 uma parceria da "Chambre Régional de Métiers des Pays de la Loire" para participar no projecto "Artisanat de Métiers D’Art et Tourism Culturel".

 

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Galeria virtual: Geira avança com projecto inovador

Geira-Novas, 28-09-1998 – O Geira está a ultimar a chamada "Galeria Virtual", brevemente disponível ao público.

Projecto inovador, o visitante poderá percorrer virtualmente os espaços de cada galeria ou museu, podendo até aproximar-se ou distanciar-se de cada pormenor.

A "Galeria Virtual" que está a ser desenvolvida é dedicada ao "Museu Nogueira da Silva". Enquanto na realidade esta galeria tem apenas um piso, na versão virtual terá vários pisos, o que vai possibilitar a existência de outras exposições, independentemente da que está patente na Galeria. Assim, o visitante poderá também ver exposições que por lá passaram, assim como exposições de outros autores, para quem a Galeria decida criar uma exposição virtual.

Ao visitar a Galeria Virtual, vai ser possível por exemplo escolher a nossa altura, para que a visita se aproxime, ainda mais, daquilo que nós lá veríamos a partir do nosso ângulo de visão.

Como opção, teremos também um interruptor, onde podemos acender os focos que incidem nos respectivos quadros/obras, criando efeitos de luz desejados pelo autor.

Estando neste momento a trabalhar apenas com superfícies planas, é objectivo da "Galeria" oferecer as mesmas possibilidades para esculturas, que poderão ser observadas a três dimensões.

A Galeria vai passar estar disponível no nosso computador "a muito breve prazo", mas o responsável pelo projecto, Professor António Fernandes, não se compromete com uma data fixa pois, nestas coisas, "é natural que surjam novos problemas ao dar os últimos retoques" -- afirmou ao Geira-Novas.

António Fernandes sugere a visita aos seguintes "sites" para uma informação mais completa e detalhada:

[ Paper apresentado em Museums and the Web 98, conferencia promovida por Archives & Museums: www.archimuse.com

Titulo: A Virtual Interactive Art Gallery

autores: Antonio Ramires Fernandes, Hugo Castelo Pires and Rui Amaral Rodrigues

Paper completo disponivel em:

http://www.archimuse.com/mw98/papers/fernandes/fernandes_paper.html

Paper a apresentar em Tokyo, Novembro

VSMM'98 Promovida por International Society on Virtual systems and multimedia: www.vsmm.org

Título:

Building Virtual Interactive 3D Galleries

Autores: Antonio Ramires Fernandes, Hugo Castelo Pires and Rui Amaral Rodrigues

abstract disponível em:

http://www.vsmm.vsl.gifu-u.ac.jp/vsmm98/successfulAuthorDetail.CFM?AbstractSubmission__ParticipantID=240 ]

Criar uma exposição virtual própria

Para além do que já se referiu, vai ser possível a cada autor criar a sua exposição virtual a partir do "esqueleto" da Galeria, dispondo os seus quadros como desejar e com a distribuição, direcção ou efeitos de luz que preferir.

Depois de montada a exposição, esta será remetida para a Galeria, que avaliará da qualidade e interesse da mesma e, em caso de apreciação positiva, passará a incluí-la num dos seus andares virtuais.

No futuro pretende-se possibilitar mesmo a criação de galerias virtuais (cada autor poder conceber o espaço onde quer expor), e não só as exposições.

A "Galeria Virtual" apresenta-se como um instrumento inovador de exposição virtual, mas também como um precioso auxiliar de concepção de exposições onde podem ser explorados previamente diversos efeitos desejados pelo autor.

António Guterres já viu a "Galeria Virtual"

Como já é público, no passado dia 19, o primeiro-ministro António Guterres e o ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, visitaram vários equipamentos culturais bracarenses, entre os quais o Museu D. Diogo de Sousa.

Na altura foi feita uma breve apresentação do projecto Geira, com destaque para a "Galeria Virtual" e para o "Infomuseu".

O Novas soube que o primeiro-ministro, apesar de estar fatigado e ligeiramente adoentado, não deixou de mostrar o seu interesse pelo projecto e seguiu atentamente a demonstração das possibilidades da "Galeria Virtual".

Galeria Virtual vai ser apresentada em Tóquio, em Novembro

Numa conferência promovida por International Society on Virtual Systems and Multimedia: www.vsmm.org, vai ser apresentado o projecto da Galeria Virtual, com o título "Building Virtual Interactive 3D Galleries" [como em cima António Fernandes já referiu], da autoria de António Ramires Fernandes, Hugo Castelo Pires e Rui Amaral Rodrigues.

Este projecto será alvo, igualmente, de uma detalhada apresentação no colóquio "Museus e Autarquias" que decorrerá em Loures, a 29 e 30 de Outubro.

O projecto Geira conseguiu inscrever, ainda, mais 6 comunicações para este colóquio, numa vai apresentar o Geira e outras são relativas à temática em causa.

Refira-se ainda que a "Galeria Virtual" foi já apresentada numa conferência de especialistas, em Maio passado, no Canadá, onde obteve grande sucesso, tendo sido enaltecidas as suas possibilidades na divulgação multimédia da arte em geral e dos museus/galerias em particular.

 

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Multimédia ao serviço dos museus: Geira reúne-se com IPM

Geira-Novas, 17-09-1998 - O projecto Geira promove no próximo sábado, em Lisboa, uma reunião com o Instituto Português de Museus e com a Comissão Europeia, para fazer o ponto da situação sobre a actual colaboração europeia entre museus e indústria multimédia na divulgação do Património Cultural Europeu.

Em agenda vai estar fundamentalmente um documento da Comissão Europeia (Memorandum of Understanding on Multimedia Access to European Cultural Heritage), recentemente publicado e que traduz a reflexão de diferentes grupos de trabalho, constituídos por museus, entidades governamentais, não-governamentais e indústria multimédia.

Este memorando da CE é uma primeira iniciativa para estabelecer as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias aos museus da União Europeia, bem como para discutir os problemas específicos da futura relação entre museus e indústria multimédia.

A discussão que deu origem a este documento começou em Junho de 1996, com o Comité para os Assuntos Culturais do Conselho Europeu.

Foi então apontado, como primeira condição, um trabalho de cooperação entre os museus e a indústria, na exploração de modelos técnicos para o desenvolvimento real do mercado aberto nesta área e o problema crucial da protecção dos direitos da propriedade intelectual (direitos de autor).

O Geira, ao promover conjuntamente com o Instituto Português de Museus esta reunião, está a impulsionar a reflexão e desenvolvimento de uma das suas áreas de acção, que é a divulgação do património cultural. Para o Prof. Mário Brito, líder do projecto Geira-Museus, esta reunião vai ser "um passo importante para permitir estreitar relações entre os interlocutores europeus".

 

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